segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Medíocres distraídos

Quando li esse artigo da Luft Lya, não pude deixar de replicá-lo aqui. Simplesmente é a suma da verdade de nossos dias e os que nos falta a muito tempo.


Medíocres distraídos


Leio com tristeza sobre quanto países como a Coreia do Sul e outros estimulam o ensino básico, conseguem excelência em professores e escolas, ótimas universidades, num crescimento real, aquele no qual tudo se fundamenta: a educação, a informação, a formação de cada um. 

Comparados a isso, parecemos treinar para ser medíocres. Como indivíduos, habitantes deste Brasil, estamos conscientes disso, e queremos – ou vivemos sem saber quase nada? Não vale, para um povo, a desculpa do menino levado que tem a resposta pronta: “Eu não sabia”, “Não foi por querer”. Pois, mesmo com a educação – isto é, a informação – tão fraquinha e atrasada, temos a imprensa para nos informar.

A televisão não traz só telenovelas ou programas de auditório: documentários, reportagens, notícias, nos tornam mais gente: jornais não têm só coluna policial ou fofocas sobre celebridades, mas nos deixam a pare nos integram no que se passa no mundo, no país, na cidade.

Alienação é falta grave: omissão traz burrice, futilidade é um mal. Por omissos votamos errados ou nem votamos, por desinformados não conhecemos os nossos direitos, por fúteis não queremos lucidez, não sabemos da qualidade na escola do filho, da saúde de todo mundo, da segurança em nossas ruas. O real crescimento do país e o bem da população passam ao largo de nosso interesse. Certa vez escrevi um artigo que deu título a um livro: “Pensar é transgredir”. Inevitavelmente me perguntam: “Transgredir o que?”. Transgredir a ordem da mediocridade, o deixa pra lá, o nem quero saber nem me conte, que nos dá a ilusão de sermos livres e leves como na beira mar, pensamento flutuando, isso é que é vida. Será? Penso que não, porque todos, todos sem exceção, somos prejudicados pelo nosso próprio interesse.

Nosso país tem tamanhos problemas que não dá pra fingir que está tudo bem, que somos os tais, que somos modelos para os bobos europeus e americanos, que aqui está tudo funcionando bem e que até crescemos. Na realidade, estamos parados, continuamos burros, doentes e desamparados, ou muito menos burros e doentes e desamparados do que poderíamos estar. 

Já tivemos em situação pior? Claro que sim. Já tivemos escravidão, a mortalidade infantil era assustadora, os pobres sem assistência, nas ruas reinava a imundície, não havia atendimento algum aos necessitados (hoje há menos do que deveria, mas existe). Então, de certa forma, muita coisa melhorou. Mas poderíamos estar melhores, só que não parecemos interessados.

Queremos, aceitamos, pão e circo, a Copa, as Olimpíadas, a balada, o joguinho, o desconto, o prazo maior para nossas dívidas, o não saber de nada sério: a gente não quer se incomodar. Ou pior: nós temos a sensação de que não adianta mesmo.

Mas na verdade temos medo de sair às ruas, nossas casas e edifícios têm porteiro, guardas, alarmes e medo. Nossas escolas são fraquíssimas, as universidades são péssimas, e o propósito parece ser o de que isso ainda piore. Pois, em lugar de estimularmos os professores e melhorarmos imensamente a qualidade de ensino de nossas crianças, baixamos o nível das universidades, forçando por vários recursos a entrada dos mais desesperados, que naturalmente vão sofrer ao cair na realidade. Mas a esses mais sem base, porque fizeram uma escola péssima ou ruim, dizem que terão tutores no curso superior para poder se equilibrar e participar com todos. Porque nós não lhe demos condições positivas de fazer uma boa escola, para que pudessem chegar ao ensino superior pela própria capacidade, queremos band-aids ineficientes para fingir que está tudo bem.

Não se deve baixar o nível em coisa alguma, mas elevar o nível em tudo. Todos, de qualquer forma, origem, cor, nível cultural e econômico ou ambiente familiar, têm diretos à excelência que não lhe oferecemos, num dos maiores engados da nossa história. Não precisamos viver sob o melancólico império da mediocridade que parece fácil e inocente, mas trava nossas capacidades, abafa nossa lucidez, e nos deixa tão agradavelmente distraídos.

Luft Lya - Revista Veja (ed 2.298)

domingo, 25 de novembro de 2012

Quem Paga a Conta?


Toda sexta feira, você e seus 26 colegas de faculdade vão para um pequeno boteco tomar cerveja.

Dentro do espírito de igualdade, fraternidade e solidariedade, todos dividem a conta igualmente.

Passa a ser costume, uma tradição, um valor compartilhado, parte da ética do grupo.

Um dia porém, dois de seus colegas afirmando não gostar mais de cerveja decidem pedir vinho, mas dentro do espírito de solidariedade, fraternidade e igualdade já estabelecido, todos dividem a conta.

Algumas semanas depois, já são quatro colegas pedindo vinho, ninguém reclama, mas você comeca a perceber que está dando uma de trouxa.

Na próxima vez você decide que irá pedir vinho também, dentro do tal princípio de isonomia, fraternidade e igualdade.

Depois de umas 12 semanas, todo mundo está pedindo vinho.Depois de 48 semanas todos estão pedindo vinho francês, depois de 96 semanas, um pede UM Romanée-Conti.

Na vida real, provavelmente você teria há muito tempo mudado de turma. Mas como você muda de país?
Nosso sistema político que se chama de República de Estado, permite que pessoas em seu nome comprem cada vez mais com seu dinheiro.

Seu deputado precisa fazer leis e oferecer benefícios para seu eleitorado para ser reeleito.

Por isto, ele propõe uma série de benefícios como creches gratuitas, renda mínima, aposentadoria aos 50 anos, benefícios mil.

Os primeiros eleitores a conseguir uma vaga na creche ou se aposentar irão se beneficiar, em detrimento da maioria que paga a conta.

São aqueles que pediram vinho primeiro.

O deputado da cidade vizinha quer construir uma ponte para a cidade, obra que vai ser superfaturada e é totalmente desnecessária.

Nunca seria aprovada se dependesse do mérito do projeto. Só que a cidade vizinha propôs apoiar o projeto de creches gratuitas do seu deputado se você aprovar a construção da ponte superfaturada.
Como nenhum deputado irá pagar a conta, os impostos vão aumentando sem parar.

No início do século, o governo representava 3% do PIB e hoje representa 54% respectivamente, e é você que paga a conta.

A situação chegou a tal ponto que tivemos que criar uma lei de Responsabilidade Fiscal, onde é crime gastar mais do que se arrecada, o que deveria ser o óbvio ululante.

Nosso sistema político não recompensa a moderação de gastos.

Dividir a conta no boteco pode parecer um ato de fraternidade, mas ele traz uma semente de destruição.

A tentação de ser um Gerson e de tirar vantagem de seus colegas é sempre uma constante. Talvez você nem quisesse tomar cerveja naquele dia, e estivesse lá só pela companhia.

Infelizmente, o contrário nunca funciona. Se todos seus colegas pedirem vinho francês, e você for o único a pedir vinho nacional, depois de 48 semanas você continuará a ser o único a tomar vinho nacional.

Para que o modelo Social-Democrata funcione como se propõe, todo indivíduo, sem nenhuma exceção, tem de se comportar moderamente "com ética socialista", nunca consumindo nada diferente do resto da patota.

Nem um chopp nem um palito a mais, somente o que o Partido mandar, por solidariedade e justiça.

Por isto, socialismo escamba rapidamente em ditadura, como ocorreu em países como a União Soviética e ainda ocorre em Cuba e na China, para que ninguém saia pedindo vinho fora de ordem.

Quem abraça o socialismo acaba tendo de abraçar a ditadura, pelo menos a ditadura dos costumes fraternos, um enorme contrasenso.

Tente pedir vinho na Venezuela ou em Cuba e veja o que acontece.

Nos países onde a previdência é um assunto privado, a maioria opta por planos que oferecem 70% do último salário, e que exigem uma contribuição 30% menor ao longo de toda a vida.

No Brasil, onde a previdência é pública e onde ninguém paga a sua própria conta, o Estado paga 110% do
seu último salário, e quem paga é você contribuinte.

O mundo moderno já percebeu que somente se consegue moderação quando cada um paga a sua conta, sem ditaduras nem partidos fortes e hegemônicos.

A doutrina política que combate esta visão de mundo sequer é ensinada nos cursos universitários que existem no Brasil, sequer é ensinada nas nossas universidades. Universidades onde os alunos não pagam a contas, os professores recebem do Estado e não dos alunos, e onde o contribuinte não escolhe o professor, só paga a conta.

Fonte: http://blog.kanitz.com.br/2012/11/-quem-paga-a-conta-.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+stephen_kanitz+%28Stephen+Kanitz+the+blog%29

sábado, 24 de novembro de 2012

[61] O Tao de Warren Buffett


"Regra 61: Parece haver uma característica humana perversa que gosta de tornar difícil o que é fácil."
Warren Buffett


Todos os grupos profissionais são, em ultima análise, uma conspiração contra os leigos. Somente quanto algo se torna difícil de entender existe a necessidade de especialistas, que cobram altas taxas por terem desvendado o mistério. Quando maior a complexidade, maios a necessidade de um especialista para ajudar a orientar você em meio à complexidade.

Wall Street vive de vender seus conhecimentos em escolher ações para você investir, daí o interesse velado de seus corretores em apresentar o jogo do investimento como complicadíssimo, além da compreensão de qualquer um, exceto dos profissionais mais astutos.

O esquema é simples: eles ficarão ricos com o trabalho de fazer você ficar rico, e o obrigam a viver voltado a eles porque o convenceram de que o jogo do investimento é complicado demais para ser entendido. Mas nunca ninguém pergunta porque cargas-d’águas, se eles são tão inteligentes, precisam do dinheiro dos outros pra enriquecer? Talvez precisem do seu dinheiro porque o objetivo real não é que você ganhe dinheiro com investimentos, e sim que eles ganhem dinheiro com as comissões que cobram de você no troca-troca dos investimentos. Como disse Wood Allen: “Um corretor de ações é alguém que investe o dinheiro dos outros até não sobrar mais nada.”


Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

[55] O Tao de Warren Buffett


"Regra 55: Chega uma época em que você deveria começar a fazer o que gosta. Arranje um emprego que você adora. Você vai saltar da cama, de manhã, feliz. Acho uma loucura você viver aceitando empregos de que não gosta para valorizar o seu currículo. Isso não é um pouco como guardar o sexo para a velhice?"
Warren Buffett


Passar a vida acordando de manhã e indo para um emprego que você odeia, com pessoas que você não respeita, leva à frustração e ao descontentamento, que você traz do trabalho para casa e compartilha com sua família, que também fica insatisfeita.

Isso é claro, acaba infernizando a vida de todos que você ama, inclusive a sua. Bem melhor é achar um emprego que você adore. Aí você irá trabalhar com um sorriso no rosto, que poderá trazer de volta pra casa ao final do dia para compartilhar com seus entes queridos. E se você está preocupado com o dinheiro, lembre-se de que as pessoas que adoram o que fazem são aquelas que chegam ao topo em suas áreas e acabam ganhando mais, seja o imigrante russo pobre que não sabia ler mas adorava vender móveis ou o filho nerd de um balconista de mercearia com pendor para número e ações.

Faça o que você adora e o dinheiro virá. Essa regra funcionou para eles e funcionará pra você também.


Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[44] O Tao de Warren Buffett


"Regra 44: Quanto mais inteligentes os jornalistas, melhor para a sociedade."
Warren Buffett


Obtemos da mídia as nossas informações para processar ideias de investimentos, o que significa que somos totalmente dependentes dos jornalistas para obter dados precisos e análises apropriadas do que está acontecendo. Você quer pessoas burras nos mantendo informados ou que pessoas inteligentes realizando o serviço?

Warren sempre defendeu a ideia de que, quanto melhor o professor, mais inteligente o grupo de estudantes. Desse modo, quanto mais inteligentes os jornalistas, mais inteligente a sociedade. As únicas pessoas que não querem uma sociedade mais inteligente são os mentirosos, os ladrões e os políticos que estiveram tentando esconder algo.


Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

[35] O Tao de Warren Buffett


"Regra 35: Procuro empresas que me dão a impressão de que posso prever como serão daqui a 10 ou 15 anos. Tomemos a goma de mascar Wrigley. Não creio que a internet mudará a maneira como as pessoas mascam chiclete."
Warren Buffett


Produtos estáveis equivalem a lucros estáveis. Se o produto não precisa mudar, você pode auferir todos os benefícios de não ter de gastar dinheiro em pesquisa e desenvolvimento nem se tornar vítima de altos e baixos da moda. Pense na cerveja, nos refrigerantes e os doces.

A Budweiser produz a mesma cerveja há mais de 100 anos, a Coca-Cola vende a mesma água mágica, adocicada e cor de caramelo, há mais de 100 anos, e a Whrigley produz a mesma goma de mascar há – adivinhou! – mais de 100 anos. Captou a tendência aqui? Você acha que consegue prever o que provavelmente essas empresas estarão vendendo daqui a 15 anos? Em caso positivo, quem sabe você se torna o próximo Warren Buffett?


Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

[63] O Tao de Warren Buffett


"Regra 63: Não posso me envolver com 50 ou 75 empresas. Essa é uma forma de investir tipo Arca de Noé - você acaba ficando com um zoológico. Gosto de aplicar quantias significativas em umas poucas empresas."
Warren Buffett


Se você investir em 50 ações diferentes, sua atenção e sua capacidade de acompanhar os fundamentos econômicos de cada uma sofreriam fortes limitações. Você acabaria ficando com um zoológico onde nenhum dos animais receberia a atenção necessária. É como ser uma malabarista com bolas demais no ar. No final, não só uma mas todas acabam caindo.

Warren aplica quantias altas nos seus investimentos porque grandes ideias de investimentos costumam ser raras. Ele diz que você só precisa tomar poucas decisões certas para acabar enriquecendo, e que se você está tendo mais de uma ideia de investimento brilhante por ano, provavelmente está se iludindo.


Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.