terça-feira, 20 de agosto de 2013

E assim nasceu a TAM...

Outro exemplo de um rapaz que estava em região inóspita, longe da casa dos pais, sozinho e não podia falhar aconteceu na década de 1960 em Goiás.

Na época, o estado era um dos mais atrasados do Brasil. Por isso, recebeu ajuda financeira do governo Juscelino Kubitschek. Incentivados pelos recursos federais, os produtores rurais da região partiram para o crescimento, ampliando áreas de plantio e criação de gado. Para inspecionar as extensas propriedades, contrataram empresas aéreas de São Paulo, já que Goiás não dispunha do serviço.

Devido à enorme distância entre os estados, os agricultores eram obrigados a pagar uma exorbitância às companhias aéreas paulistas. Uma das fazendas achou mais vantajoso ter um piloto exclusivo para cuidar da propriedade. Por isso, buscou em São Paulo um rapaz chamado Adolfo. Ao chegar na região, o piloto de 24 anos ficou impressionado. Ele não fazia idéia do alto valor cobrado por um simples vôo de inspeção. Imediatamente, identificou uma enorme oportunidade ali: atender os fazendeiros do local por um preço menor. Empolgado, largou o emprego e financiou um avião Cessna 170.

O plano parecia bom, mas o imprevisível aconteceu: os agropecuaristas se recusaram a contratar o jovem piloto. Por quê? Primeiro, porque ele não pertencia a uma grande empresa, não oferecia garantias, o que causou desconfiança ao grupo. Segundo, e talvez mais grave, para os emergentes homens do campo, recrutar pilotos da capital paulista era uma questão de status.

Imagine o desespero de Adolfo. Longe de casa e com um problema gigantesco nas mãos: um avião financiado. Em vez de desistir, o piloto apelou para a criatividade. Comprou rádios intercomunicadores e os distribuiu gratuitamente para os fazendeiros, com o seguinte discurso: “Quando vocês precisarem de serviço aéreo, não liguem para São Paulo. Passem uma mensagem pelo rádio que eu venho rapidinho atendê-los.”

Dirá você: mas a estratégia não atacava diretamente qualquer dos dois problemas, a necessidade de garantias e o desejo de status. Mas tinha um impacto emocional. Como os rádios funcionavam na mesma freqüência, quando o primeiro fazendeiro chamou o piloto, os outros ouviram. Assim, um foi encorajando os outros a experimentar o serviço. E como acompanhavam os planos uns dos outros, foi possível combinar viagens em conjunto e economizar ainda mais.

Foi uma tacada certeira. Grande parte dos produtores da região se tornou cliente do jovem piloto. E a visão empreendedora do rapaz não parou por aí. Ele percebeu que alguns fazendeiros possuíam aeronaves próprias para transporte pessoal e gastavam fortunas com combustível e manutenção. Espertamente, propôs aos empresários que revendessem seus aviões para ele em troca de serviços prestados por sua empresa de táxi aéreo. Os homens, que eram bons de conta, rapidamente identificaram os benefícios da operação. Em pouco mais de um ano, sua frota passou de um para nove aviões.

Foi assim, com a cara e a coragem, que o piloto Rolim Adolfo Amaro começou sua trajetória como um dos maiores empreendedores brasileiros. Anos depois, em 1972, o comandante adquiriu metade das ações de uma empresa denominada Táxi Aéreo Marília. Com tacadas certeiras como a citada acima, nas décadas seguintes ele transformou o pequeno negócio na gigante TAM, a maior companhia aérea brasileira.



Texto extraído do livro "Oportunidades Disfarçadas", escrito por Carlos Domingos, editora Sextante, 2009.

Por isso, não venha me falar de dificuldades...

Meu prezado senhor, 
Direi apenas algumas poucas palavras. 
A vida fez de mim um homem bem familiarizado com as decepções. 
Aos 23 anos, tentei um cargo na política e perdi. Aos 24, abri uma loja que não deu certo. Aos 32, tentei um negócio de advocacia com amigos, mas logo rompemos a sociedade. Ainda naquele ano, tive um grave colapso nervoso e passei um bom tempo no hospital. Com 45 anos, disputei uma cadeira no Senado e não ganhei. Aos 47, concorri à nomeação pelo Partido Republicano para a Eleição Geral e fui derrotado. Aos 49, tentei o Senado e fracassei novamente. Mas, aos 51 anos, finalmente, fui eleito presidente dos Estados Unidos da América. 
Por isso, não venha me falar de dificuldades, tropeços ou fracassos. Não me interessa saber se você falhou. O que me interessa é se você soube aceitar o tropeço.
Todos os infortúnios que vivi me tornaram um homem mais forte, me ensinaram lições importantes. Aprendi a tolerar os medíocres; afinal, Deus deve amá-los, porque fez vários deles. Aprendi que os princípios mais importantes podem e devem ser inflexíveis. 
Aprendi que, quando se descobre que uma opinião está errada, é preciso descartá-la. 
Aprendi que a melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades. Aprendi que nunca se deve mudar de cavalo no meio do rio. 
Se você está vivendo um momento temporário de fracasso, posso afirmar, com a certeza da minha maturidade, ou dolorida experiência, que você jamais falhará se estiver determinado a não fazê-lo. 
Por mais que você encontre dificuldades pelo caminho, não desista. Pois saiba que o campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer. 
Sinceramente,
ABRAHAM LINCOLN - 16º presidente norte-americano


Texto extraído do livro "Oportunidades Disfarçadas", escrito por Carlos Domingos, editora Sextante, 2009.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Premiação para ideias nas empresa: Solução ou problemas?

Uma das grandes diferenças entre as empresas orientais e acidentais é a forma de motivar os funcionários. Para estimular a equipe a participar com ideias, muitas organizações têm o hábito de pagar por elas. parece uma forma eficiente, mas, na maioria das vezes, ocorre o efeito inverso. Como é possível? Acompanhe o raciocínio.

No início, as pessoas ficam animadas com a possibilidade de ganhar algum dinheiro extra. Mas, como a empresa só pagará por ideias aceitas, é grande a possibilidade de o sujeito ter sua sugestão recusada. E, naturalmente, ficará frustado. Depois de duas ou três negativas, possivelmente deixará de participar.

No livro Toyota, a fórmula de inovação, de Matthew May, há uma interessante história que demonstra como a remuneração pode roubar o poder criativo das pessoas:

"Uma velha senhora morava numa rua onde um grupo de meninos jogava bolas todas as tarde. Como eles faziam muito barulho, ela pensou em pedir que falassem mais baixo. Intuindo que não seria atendida, a mulher teve outra ideia.
Chamou a garotada e falou o contrário: que gostava demais de ouvir-los brincar, mas que estava com problemas de surdez e só poderiam escutá-los se gritassem mais alto ainda. E propôs um acordo: toda vez que fizessem muito barulho, cada um ganharia um dólar. Os garotos adoraram a proposta e toparam na hora. 
No dia seguinte, brincaram e gritaram como nunca. No final do dia, receberam o dinheiro combinado. Na tarde seguinte, a história se repetiu. Só que desta vez a senhora disse que estava sem dinheiro e só poderia pagar 50 centavos. Os meninos aceitaram, meio a contragosto. No outro dia, nova surpresa: ela disse que tinha menos ainda e que, desta vez, pagaria apenas 10 centavos para cada um. Os garotos se revoltaram e disseram que não voltariam mais: não valia a pena gritar por 10 centavos o dia."

Não é interessante? Ao decidir pagar por uma coisa que os garotos faziam de graça, a velha senhora tirou o prazer deles de brincar. A mesma coisa pode acontecer com sua equipe se você pagar apenas por idéias aceitas.

Num ambiente propício, os profissionais contribuem de graça, simplesmente porque o ser humano gosta de participar, sugerir, ser ouvido pelos outros, provar seu valor. No momento em que a empresa decide pagar, a magia se rompe: elas só criarão movidas pelo dinheiro.

No Sistema Toyota de Produção, ocorre o contrário: o hábito de formular ideia continuamente faz parte da cultura da empresa. Isso promove um forte espírito de cooperação e proatividade. As pessoas incorporam a criatividade no seu dia-a-dia, passa a fazer parte do trabalho.

Se funciona? De acordo com a pesquisa realizada em conjunto por duas importante associações trabalhistas (Employee Involvent Association e Japan Human Relations Association), o número de idéias dadas anualmente por funcionários de empresas japonesas chega a ser 100 vezes maior do que nas empresas americanas.

Claro, não são todas as companhias ocidentais que gratificam a equipe. A Disney, por exemplo, referência mundial na prestação de serviços, garante que jamais recompensa financeiramente um funcionário. A recompensa está no reconhecimento de um trabalho bem-feito. E só.

A vantagem disso é que as pessoas se esforçam pra dar o melhor de si no dia-a-dia.


Texto extraído do livro "Oportunidades Disfarçadas", escrito por Carlos Domingos, editora Sextante, 2009.

sábado, 17 de agosto de 2013

[25] O Tao de Warren Buffett

"Regra 25: A contabilidade é a língua dos negócios."
Warren Buffett


Existem muitas maneiras de descrever o que está acontecendo com uma empresa, mas, seja lá o que se diga, sempre se retorna à língua da contabilidade. Quando a filha de um de seus parceiros de negócio perguntou a Warren quais cursos deveria fazer na faculdade, ele respondeu: "Contabilidade; é a língua dos negócios." Para interpretar a demonstração financeira de uma empresa, você tem que saber interpretar os números. Para isso, precisa aprender contabilidade. Se você não sabe ler o placar, não sabe como anda o jogo, o que significa que não consegue distinguir os vencedores dos perdedores.

Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

[22] O Tao de Warren Buffett

"Regra 22: O dinheiro, até certo ponto, às vezes permite que você circule em ambientes mais interessantes. Mas ele não pode mudar o número de pessoas que o amam ou quão saudável você é."
Warren Buffett


A verdade é que somas excessivas de dinheiro podem transformar sua vida num inferno. Seus filhos não trabalharão porque acham que vão herdar uma fortuna, o que significa que nunca adquirirão a autoestima proporcionada pelo trabalho e que acabarão amargurados e torcendo o tempo todo para que você morra logo. Se você for podre de rico, poderá acabar cercado por um bando de puxa-sacos que encherão sua vida de mentiras para afagar suas ilusões de grandeza, até você parecer um todo para o resto do mundo.

Em vez de fazer coisas empolgantes com seu dinheiro e sua vida, você acabará por gastar todo o seu tempo protegendo sua riqueza dos empregados, advogados, contadores e os chamados administradores de investimento, que o ajudarão, um por um, a transferir seu dinheiro para eles.

Warren acredita que crianças que herdam fortunas tende a não fazer nada com suas vidas, e também não considera bom para a sociedade que exista uma classe superior baseada na herança de fortunas. Acha que um país prospera mais se a sociedade for meritocrática, com as pessoas ganhando o que conseguem ganhar. Por esse motivo, doou a fortuna de US$ 32 bilhões que fez com investimentos para obras de caridade, a fim de que ela volta a ajudar a própria sociedade que a gerou. Que esse pensamento nobre conquiste os corações de todos os que fazem fortunas no mundo.

Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

sábado, 10 de agosto de 2013

[29] O Tao de Warren Buffett

"Regra 29: A reação de uma administração fraca a negócios fracos costuma ser uma contabilidade fraca."
Warren Buffett


Se uma empresa vem sendo solapada por fundamentos econômicos ruins e a administração carece de integridade, esta apoiará uma contabilidade fraca, que se manifesta na criação de rendas inexistentes. Isso é facílimo de fazer: basta registrar um custo como investimento numa sociedade, depois fazer com que a sociedade lhe pague uma taxa sobre o dinheiro que você investiu nela, que você registra como renda. Reduza os custos e aumente a renda com umas poucas canetadas. O aumento dos lucros fará com que os acionistas e Wall Street o aplaudam, o que fará o preço da ação subir, e lhe valerá um grande e suculento bônus de milhões de dólares e um convite para almoçar com o presidente. A Enron vem logo a cabeça, mas não é a única...

Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

[23] O Tao de Warren Buffett

"Regra 23:  Tudo o que não possa prosseguir pra sempre terá um fim."
Warren Buffett


Um preço de ação que está subindo rapidamente deixará de subri quando a realidade econômica da empresa enfim prevalecer. Pode parecer que ele subirá pra sempre, mas se a empresa deixar de cumprir as expectativas que fazem o preço subir, as ações da empresa alcançarão o pico e, depois, afundarão como um tijolo.

A maioria das empresas que agora vai bem estará mal em algum ponto do futuro. As coisas mudam - é uma questão de tempo. Chicotes para cocheiros já foram um grande negócio nos Estados Unidos, videocassetes já foram a sensação, vender e consertar máquinas de escrever foi uma parte necessária e intrincada da equação comercial. Agora fazer parte do passado, sem nenhum potencial econômico. As coisas acabam, motivo pelo qual você deve ficar de olho não apenas na bola, mas também na estrada à frente.

Várias vezes Warren investiu em empresas que chegaram ao fim ou sofreram um declínio radical sob seu comando. As mais notáveis foram a Blue Chip Stamps, que praticamente desapareceu, e a World Book Encyclopedia, que esta agora desaparecendo, ambas afetadas por um ambiente de negócio cambiante no qual se viram impotentes para ganhar dinheiro. Mesmo um gênio pode interpretar errado a estrada à frente.

Fonte: “O Tao de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimentos do gênio das finanças em sua vida”, editora Sextante, 2007.