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sábado, 12 de janeiro de 2013

Deus e o Inferno


Inconscientemente nunca acreditei que Deus pudesse lançar uma alma ao inferno por toda a eternidade. É crueldade demais! Eu não admitiria que um homem fizesse isso. Como poderia admitir que Deus o fizesse? E também nunca fui atraído pelas propaladas delicias do céu.

Para dizer a verdade, não conheço nem uma pessoa que esteja ansiosa por deixar as pequenas alegrias desta vida para gozar eternamente a felicidade celestial perfeita. As pessoas religiosas que conheço cuidam bem da saúde, caminha, fazem hidroginástica, controlam o colesterol, a pressão, a glicemia... Eles querem continuar por aqui. Não querem partir.


Fonte: “Se eu pudesse viver minha vida novamente...”, Textos selecionados de Rubem Alves, editora Verus, 2006.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Trabalhar demais emburrece

Um estudo da Unversity College London com mais de 2 mil funcionários públicos ingleses concluiu que, comparando testes de cognição feitos entre um intervalo de cinco anos, pessoas que trabalhavam mais de 11 horas por dia tiveram uma queda maior de memória de curto e longo prazo, raciocínio abstrato, criatividade e solução de problemas em relação a quem segue uma jornada de oito horas.

Uma razão para isso é que quem trabalha por muitas horas deixa de praticar outras atividades importantes para a saúde mental. Mas o que fazer se a carga de trabalho for muito grande? Bom, a resposta não está em quanto, mas em como se trabalha. Passar muitas horas trabalhando não é sinônimo de produtividade. Pode ser, na verdade, ao contrário. Workaholics trabalham mais não por produzirem mais e melhor, mas porque precisam de mais tempo para produzir a mesma coisa, seja por serem controladores que não conseguem trabalhar em equipe, seja por estabelecer expectativas irreais.

Isso, segundo o psicoterapeuta Bryan Robinson, autor de Chained to the Desk (“acorrentado a mesa”, sem versão no Brasil), é um tiro no pé.Eles criam estresse e desgaste para si e para seus colegas, causando baixo estado de ânimo, falta de harmonia, conflito interpessoal, baixa produtividade, perde de criatividade e de cooperação e absenteísmo por conta de doenças relacionadas ao estresse.” Quem é viciado em trabalho já sentiu isso. O melhor, por tanto, não é fazer tudo hoje, mas estabelecer prioridades, delegar tarefas -  e não abrir mão de sua vida. Só assim você estará 100% amanhã.

As quatro faces dos workaholics

  • O implacável: Nas sabe dizer “não”. Assume mil responsabilidades sem conseguir priorizar o que importa nem delegar tarefas a outras pessoas. Com tanta coisa a fazer em pouco tempo, acaba deixando passar muitos erros.
  • O bulímico: Por ter autoestima baixa, cria expectativas altas demais de como devem ser seus resultados. Isso lhe dá medo de começar projetos e, quando começa, trabalha a exaustão, extremamente preocupado com o risco de cometer erros.
  • O desatento: Tem prazer com muitas ideias e, assim, começa uma imensidão de projetos. Porém, sente-se enfadado quanto precisa leva-los adiante. Acaba fazendo tudo sem muito empenho, pensando em outras coisas.
  • O degustador: Detalhes o preocupam tanto que ele acaba paralisado, reescrevendo a mesma frase, rechecando algo. Como acha que ninguém será cuidadoso como ele, não consegue passar o bastão.
E aí, você se identificou com algum perfil?

Fonte: Revista Super Interessante, ed 34, janeiro/13 - ed Abril

Só a solidão consegue...


Sofri a dor da solidão e da rejeição. Mas foi esse espaço de solidão na minha alma que me fez pensa coisas que de outra forma eu não teria pensado.


Fonte: “Se eu pudesse viver minha vida novamente....”, Textos selecionados de Rubem Alves, editora Verus, 2006.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Você realmente quer ser livre?


Todo mundo diz que quer liberdade. É mentira. A liberdade traz muita confusão à cabeça. Melhores são as rotinas, que nos livram da maçada de ter que tomar decisões sobre o que fazer com a liberdade. Quem tem rotina não precisa tomar decisões. A vida já esta decidida.


Fonte: “Se eu pudesse viver minha vida novamente....”, Textos selecionados de Rubem Alves, editora Verus, 2006.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Medíocres distraídos

Quando li esse artigo da Luft Lya, não pude deixar de replicá-lo aqui. Simplesmente é a suma da verdade de nossos dias e os que nos falta a muito tempo.


Medíocres distraídos


Leio com tristeza sobre quanto países como a Coreia do Sul e outros estimulam o ensino básico, conseguem excelência em professores e escolas, ótimas universidades, num crescimento real, aquele no qual tudo se fundamenta: a educação, a informação, a formação de cada um. 

Comparados a isso, parecemos treinar para ser medíocres. Como indivíduos, habitantes deste Brasil, estamos conscientes disso, e queremos – ou vivemos sem saber quase nada? Não vale, para um povo, a desculpa do menino levado que tem a resposta pronta: “Eu não sabia”, “Não foi por querer”. Pois, mesmo com a educação – isto é, a informação – tão fraquinha e atrasada, temos a imprensa para nos informar.

A televisão não traz só telenovelas ou programas de auditório: documentários, reportagens, notícias, nos tornam mais gente: jornais não têm só coluna policial ou fofocas sobre celebridades, mas nos deixam a pare nos integram no que se passa no mundo, no país, na cidade.

Alienação é falta grave: omissão traz burrice, futilidade é um mal. Por omissos votamos errados ou nem votamos, por desinformados não conhecemos os nossos direitos, por fúteis não queremos lucidez, não sabemos da qualidade na escola do filho, da saúde de todo mundo, da segurança em nossas ruas. O real crescimento do país e o bem da população passam ao largo de nosso interesse. Certa vez escrevi um artigo que deu título a um livro: “Pensar é transgredir”. Inevitavelmente me perguntam: “Transgredir o que?”. Transgredir a ordem da mediocridade, o deixa pra lá, o nem quero saber nem me conte, que nos dá a ilusão de sermos livres e leves como na beira mar, pensamento flutuando, isso é que é vida. Será? Penso que não, porque todos, todos sem exceção, somos prejudicados pelo nosso próprio interesse.

Nosso país tem tamanhos problemas que não dá pra fingir que está tudo bem, que somos os tais, que somos modelos para os bobos europeus e americanos, que aqui está tudo funcionando bem e que até crescemos. Na realidade, estamos parados, continuamos burros, doentes e desamparados, ou muito menos burros e doentes e desamparados do que poderíamos estar. 

Já tivemos em situação pior? Claro que sim. Já tivemos escravidão, a mortalidade infantil era assustadora, os pobres sem assistência, nas ruas reinava a imundície, não havia atendimento algum aos necessitados (hoje há menos do que deveria, mas existe). Então, de certa forma, muita coisa melhorou. Mas poderíamos estar melhores, só que não parecemos interessados.

Queremos, aceitamos, pão e circo, a Copa, as Olimpíadas, a balada, o joguinho, o desconto, o prazo maior para nossas dívidas, o não saber de nada sério: a gente não quer se incomodar. Ou pior: nós temos a sensação de que não adianta mesmo.

Mas na verdade temos medo de sair às ruas, nossas casas e edifícios têm porteiro, guardas, alarmes e medo. Nossas escolas são fraquíssimas, as universidades são péssimas, e o propósito parece ser o de que isso ainda piore. Pois, em lugar de estimularmos os professores e melhorarmos imensamente a qualidade de ensino de nossas crianças, baixamos o nível das universidades, forçando por vários recursos a entrada dos mais desesperados, que naturalmente vão sofrer ao cair na realidade. Mas a esses mais sem base, porque fizeram uma escola péssima ou ruim, dizem que terão tutores no curso superior para poder se equilibrar e participar com todos. Porque nós não lhe demos condições positivas de fazer uma boa escola, para que pudessem chegar ao ensino superior pela própria capacidade, queremos band-aids ineficientes para fingir que está tudo bem.

Não se deve baixar o nível em coisa alguma, mas elevar o nível em tudo. Todos, de qualquer forma, origem, cor, nível cultural e econômico ou ambiente familiar, têm diretos à excelência que não lhe oferecemos, num dos maiores engados da nossa história. Não precisamos viver sob o melancólico império da mediocridade que parece fácil e inocente, mas trava nossas capacidades, abafa nossa lucidez, e nos deixa tão agradavelmente distraídos.

Luft Lya - Revista Veja (ed 2.298)

domingo, 25 de novembro de 2012

Quem Paga a Conta?


Toda sexta feira, você e seus 26 colegas de faculdade vão para um pequeno boteco tomar cerveja.

Dentro do espírito de igualdade, fraternidade e solidariedade, todos dividem a conta igualmente.

Passa a ser costume, uma tradição, um valor compartilhado, parte da ética do grupo.

Um dia porém, dois de seus colegas afirmando não gostar mais de cerveja decidem pedir vinho, mas dentro do espírito de solidariedade, fraternidade e igualdade já estabelecido, todos dividem a conta.

Algumas semanas depois, já são quatro colegas pedindo vinho, ninguém reclama, mas você comeca a perceber que está dando uma de trouxa.

Na próxima vez você decide que irá pedir vinho também, dentro do tal princípio de isonomia, fraternidade e igualdade.

Depois de umas 12 semanas, todo mundo está pedindo vinho.Depois de 48 semanas todos estão pedindo vinho francês, depois de 96 semanas, um pede UM Romanée-Conti.

Na vida real, provavelmente você teria há muito tempo mudado de turma. Mas como você muda de país?
Nosso sistema político que se chama de República de Estado, permite que pessoas em seu nome comprem cada vez mais com seu dinheiro.

Seu deputado precisa fazer leis e oferecer benefícios para seu eleitorado para ser reeleito.

Por isto, ele propõe uma série de benefícios como creches gratuitas, renda mínima, aposentadoria aos 50 anos, benefícios mil.

Os primeiros eleitores a conseguir uma vaga na creche ou se aposentar irão se beneficiar, em detrimento da maioria que paga a conta.

São aqueles que pediram vinho primeiro.

O deputado da cidade vizinha quer construir uma ponte para a cidade, obra que vai ser superfaturada e é totalmente desnecessária.

Nunca seria aprovada se dependesse do mérito do projeto. Só que a cidade vizinha propôs apoiar o projeto de creches gratuitas do seu deputado se você aprovar a construção da ponte superfaturada.
Como nenhum deputado irá pagar a conta, os impostos vão aumentando sem parar.

No início do século, o governo representava 3% do PIB e hoje representa 54% respectivamente, e é você que paga a conta.

A situação chegou a tal ponto que tivemos que criar uma lei de Responsabilidade Fiscal, onde é crime gastar mais do que se arrecada, o que deveria ser o óbvio ululante.

Nosso sistema político não recompensa a moderação de gastos.

Dividir a conta no boteco pode parecer um ato de fraternidade, mas ele traz uma semente de destruição.

A tentação de ser um Gerson e de tirar vantagem de seus colegas é sempre uma constante. Talvez você nem quisesse tomar cerveja naquele dia, e estivesse lá só pela companhia.

Infelizmente, o contrário nunca funciona. Se todos seus colegas pedirem vinho francês, e você for o único a pedir vinho nacional, depois de 48 semanas você continuará a ser o único a tomar vinho nacional.

Para que o modelo Social-Democrata funcione como se propõe, todo indivíduo, sem nenhuma exceção, tem de se comportar moderamente "com ética socialista", nunca consumindo nada diferente do resto da patota.

Nem um chopp nem um palito a mais, somente o que o Partido mandar, por solidariedade e justiça.

Por isto, socialismo escamba rapidamente em ditadura, como ocorreu em países como a União Soviética e ainda ocorre em Cuba e na China, para que ninguém saia pedindo vinho fora de ordem.

Quem abraça o socialismo acaba tendo de abraçar a ditadura, pelo menos a ditadura dos costumes fraternos, um enorme contrasenso.

Tente pedir vinho na Venezuela ou em Cuba e veja o que acontece.

Nos países onde a previdência é um assunto privado, a maioria opta por planos que oferecem 70% do último salário, e que exigem uma contribuição 30% menor ao longo de toda a vida.

No Brasil, onde a previdência é pública e onde ninguém paga a sua própria conta, o Estado paga 110% do
seu último salário, e quem paga é você contribuinte.

O mundo moderno já percebeu que somente se consegue moderação quando cada um paga a sua conta, sem ditaduras nem partidos fortes e hegemônicos.

A doutrina política que combate esta visão de mundo sequer é ensinada nos cursos universitários que existem no Brasil, sequer é ensinada nas nossas universidades. Universidades onde os alunos não pagam a contas, os professores recebem do Estado e não dos alunos, e onde o contribuinte não escolhe o professor, só paga a conta.

Fonte: http://blog.kanitz.com.br/2012/11/-quem-paga-a-conta-.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+stephen_kanitz+%28Stephen+Kanitz+the+blog%29

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Geração Y, um desabafo

Na minha opinião uma visão simples, porem objetiva e resumida frente a essa "xaropisse" de geração Y, X, Z e etc. que andam falando tanto...


Estou cansado da visão preconceituosa e preconcebida que muitos “mais velhos” estão fazendo sobre os jovens de hoje, os chamados Geração Y.

Li Machado de Assis obrigado e achei uma merda. Jantava e assistia novela com a família como parte dos meus deveres de filho, não por opção. Aprendi a dizer obrigado, Sr., Sra., ou seja, a manifestar respeito o que não significa o mesmo que sentir respeito. Aprendi uma história brasileira (falsa) que tinha sido montada pelos militares! Minhas opções profissionais eram funcionais (ofícios) e não baseadas em talentos. E fui criado para ser alguém na vida e não ser feliz na vida!

Achar que isso é melhor, mais profundo, mais bacana ou mais qualquer coisa do que os jovens de hoje é de uma prepotência sem tamanho!

Não aceito também o lado oposto de achar que os jovens hoje são melhores. Eles são diferentes, muitas coisas melhores, outras nem tanto e algumas piores. Só isso.

A Geração Y é a geração da opção. Cresceram com todas as opções de vida abertas a eles. Querem ser felizes. Sentem que o planeta precisa de ajuda. Gostam da coisa coletiva e têm a web que lhes abre o mundo.

Vai dizer que tudo isso não é incrível? É!

Obviamente tem o outro lado: ter todas as opções pode significar nunca escolher nenhuma. Sofrer pelo planeta pode significar uma desconexão com o mundo industrial moderno e com o trabalho. Ter o mundo a seus pés na web pode gerar uma enorme dispersão. Não encontrar significado nas coisas do dia-a-dia do mundo pode gerar jovens perdidos.

Trabalho com e para jovens e, apesar dos desafios que menciono, sou um otimista e acho que a soma das coisas positivas da Geração Y é muito maior do que a soma das negativas e que – se a gente deixar – essa Geração Y pode construir um mundo muito melhor do que nós (os respeitosos, os profundos, os pensadores, os leitores de jornal, etc. etc. SIC, SIC, SIC, SIC) construímos.

Fonte: http://resultson.com.br/blog/geracao-y-um-desabafo/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+ResultsON+%28ResultsON+-+Neg%C3%B3cios+Inteligentes%29

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ocupação ilegal e moradia

Posto esse artigo de Basílio Jafet (O Estado de São Paulo, Imóveis 1, 25/03/2012) porque ele reflete clara e diretamente meu pensamento sobre um assunto muito distorcido, a meu ver, nos dias de hoje. No meio do texto faço meus comentário, sinalizados pelas iniciais N.A.B. (que significam Nota do Autor do Blog).


Ocupação ilegal e moradia


A polêmica que se sucedeu à ação de reintegração de posso no Pinheirinho, no município de São José dos Campos, oferece-nos importantes elementos para reflexão, além de ser um exemplo contundente de antagonismo à brasileira.


Chama atenção, mais uma vez, a insegurança jurídica, que figura como um dos principais obstáculos ao pleno desenvolvimento do País.


Frequentes vezes, sob disfarce de "movimentos sociais", grupos focados tão somente na obtenção de dividendos políticos, organizam invasões, promovem quebra-quebras e atacam sistematicamente o direito à propriedade.


Para colaborar, a Justiça demora demais para restabelecer o direito de posse. No caso em questão, transcorreram oitos anos até que o Judiciário julgasse o processo.


Vale lembrar que a área do Pinheirinho pertence a massa falida de uma empresa e, portanto, será utilizada para ressarcimento de credores - incluindo pessoas que ficaram sem receber seus vencimentos na época da falência.


N.A.B. - Muitas pessoas falam que essa ação foi movida pela especulação imobiliária ou citam outras questões. Mas acho que precisamos dividir alguns assuntos aqui: uma coisa é o fato que alguém invadiu uma área privada (que não era dele) e simplesmente passou a morar lá (quando não construir e alugar pra outros morarem); outra coisa completamente distinta é o fato da justiça ter demorado quase uma década pra dar a reintegração de posse somado a possíveis interesses escusos para agilizar esse processo. Seja qual for o motivo (nobre ou mesquinho), nada justifica alguém tomar posse ilegalmente de algo, seja por qual motivo for. Sem observamos essa premissa, não há ordem social que consiga manter uma sociedade em nível mínimo de civilidade. 


Direito. Afinal, não importa se a propriedade é de pessoa física ou jurídica, financeiramente saudável ou não. O que vale, o importante, é o direito de propriedade, que deve ser preservado e, neste caso, não foi observado durante quase uma década.


Ao mesmo tempo em que o Pinheirinho ia sendo ocupado sistematicamente de forma irregular, o Brasil avançava econômica e socialmente, e via diminuir a distância entre pobres e ricos.


O mundo tem acompanhado com atenção o surgimento, por aqui no Brasil, de uma nova classe média, que por meio de trabalho e da educação tem colaborado com o fortalecimento da economia interna.


Na área habitacional, o lançamento do programa de acesso à moradia "Minha Casa, Minha Vida" foi um grande passo no sentido de estabelecer uma política perene de habitação. E isso com foco no atendimento às famílias com renda de até três salários mínimos e com a concessão de subsídios para expandir o financiamento imobiliário.


Por meio do programa, já são mais de 1,1 milhão de unidades contratadas pela Caixa Econômica Federal. Também, estados e municípios têm se aliado ao governo federal na tentativa de solucionar o déficit habitacional.


Os empreendedores imobiliários de todas as partes do país, por sua vez, trabalham cada vez mais para solucionar o problema de falta de moradia digna para as famílias de baixa renda.


Inversamente a tudo isso, desponta a invasão do Pinheirinho, que, de forma alguma, pode ser considerada alternativa à solução do déficit habitacional. Trata-se de ato contrário à lei e que provoca instabilidade e insegurança àqueles que agem conforme as legislações vigentes.


N.A.B. - Reconhecer a legitimidade da ação do Pinheirinho é anular todas as coisas que obedecemos para manter um mínimo de civilidade. É anular também conquistas que todos lutam, independente da classe social, em favor de uma ação totalmente irregular e de origem questionável.

Pilares básicos. Invasões de áreas privadas nada mais são do que um completo desrespeito ao estado do direito e à democracia. Esta é caracterizada, entre seus pilares básicos, pela manutenção da imprensa livre e pelo direito de propriedade.


Pinheirinho configurou uma ameaça a todo o sistema político-econômico. E a tentativa de deslegitimar a reintegração de posse é um atentado à saúde das instituições.


N.A.B. - Muitos argumentam que as instituições também devem ser exterminadas ou devem ser menos gananciosas, interesseiras, ladras e outros tantos adjetivos. Contudo não acredito que seja incitando crimes, veja bem CRIMES, que faremos algo para modificar essas instituições.


As nações de sucesso cumprem os princípios do estado de direito, respeitam as hierarquias e os direitos fundamentais. Se o Brasil quer permanecer ente os países mais atrativos para receber investidores externos, com uma economia promissora, precisa garantir o cumprimento dos contratos, dando segurança jurídica a todos.


Violência. Claro que o drama vivido pelas famílias que não tem teto, e que são levadas a invasões por falta de informação e desespero, pode e deve ser compreendido por toda sociedade, e é imprescindível que o poder público, a iniciativa privada e movimentos sociais efetivamente representativos unam forças em prol da moradia digna. Porém, ocupação ilegal não é a forma de acesso à moradia. E, sobretudo, violência não é instrumento de reivindicação social.


Aqueles que entraram em confrontos com a polícia e esconderam seus rostos e identidades não são "cidadãos de bem empenhados na defesa de seus direitos". As famílias que lutam pelo cumprimento desse direito constitucional não têm medo de mostrar a cara, pois sabem que seu anseio é justo.


N.A.B. - Novamente, muitos argumentam que as famílias que fazem essas reivindicações são ricas e não precisariam dessas propriedade; ou são de origem ilícita; ou constrói-se novos argumentos ligados a outros assuntos. Novamente acredito que acima do merecimento ou não dessas famílias, há uma ordem social estabelecida para não haver o caos social (não julgo aqui o mérito se essa ordem é boa ou justa, esse exercício deve e será feito em outro momento porque não se enquadra no assunto aqui relatado que é PROPRIEDADE e CRIME). Essa ordem citada dá o direito de propriedade a alguém e se decidirmos que esse direito pode ser quebrado por qualquer que seja o motivo não previsto nessa ordem social, estamos fadados a viver no caos total.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ser mais religioso que Deus...

Transcrito do Livro: “Ostra feliz não faz pérola” – de Rubem Alves

Dietrich Bonhoeffer, foi um teólogo protestante que, por ter participado num complô para assassinar Hitler, foi preso num campo de concentração e enforcado.

As cartas que escreveu da prisão são um monumento de simplicidade e clarividência teológicas. Numa delas, datada de dezembro de 1943, ele diz o seguinte:
"Estou certo de que devemos amar a Deus nas nossas vidas e nas bênçãos que ele nos envia. Falando francamente, ansiar pelo transcendente quando se está nos braços da pessoa amada é, para colocá-lo de forma delicada, uma falta de gosto e isso NÃO É certamente, aquilo que Deus espera de nós. Devemos encontrar Deus e amá-lo nas bênçãos que  ele nos envia. Se ele tem prazer em nos dar uma maravilhosa felicidade terrena, não devemos ser mais religiosos que o próprio Deus."
Isso é tão óbvio! 

Quando dou um presente para uma das minha netas, o que desejo é ver o seu rosto de felicidade ao ver o presente. Ficarei frustrado se ela, ignorando o presente, ficar me olhando e dizendo: “Como você é bom, como vc é bom”. Eu não quero que ela diga q eu sou bom. Quero mesmo é que ela brinque com o presente (curta-o). 


A propósito da falta de gosto em se ansiar pelo transcendente quando se está nos braços da pessoa amada, lembrei-me de que num desses cursos religiosos de  preparação para o casamento aconselhava-se os noivos a sempre rezar um “padre-nosso” antes de transar.


As pessoas que muito falam sobre Deus, o tempo todo, são como as crianças que não brincam com o brinquedo e ficam bajulando o avô...


(Um "texto presente" de minha esposa... Achei fantástico...)


sexta-feira, 27 de maio de 2011

15 dicas para estragar profissionais

Você deseja estragar a sua equipe? Evidentemente que não. Quem desejaria isso em sã consciência? Provavelmente ninguém.

As consequências são desastrosas, principalmente para quem necessita delegar responsabilidades e não tem tempo, nem paciência, para controlar e fiscalizar a própria equipe o tempo todo.

Mas a coisa não é assim tão simples, e pouco a pouco, caso não fique atento, perceberá que está gerenciando uma horda de adultos que se portam como crianças.


Para abordar o assunto, escolhemos uma forma pouco usual. Vamos correr na direção oposta da solução, mostrando justamente quais são as atitudes, métodos e práticas que podem transformar o seu escritório em um jardim da infância, e você em uma babá.

Observe e saiba evitar as seguintes situações:

1) Ao receber uma crítica, reaja (falsamente) aceitando o comentário diante das pessoas, mas na primeira oportunidade puna o crítico deixando bem claro de quem é a autoridade ali.

2) Peça sugestões para os problemas e questões da empresa, mas ao escutá-las apoie apenas e exclusivamente aquelas ou aquela pessoa que expressou ideias que coincidam com as suas.

3) Fortaleça e promova única e exclusivamente, os colaboradores que lhe dirijam elogios, reconhecimento, aceitação e apoio como chefe.

4) Controle seus colaboradores rigorosamente, não apenas nos resultados ou em pontos de checagem específicos, mas em absolutamente todos os detalhes.

5) Reaja com irritação, sempre que escutar um relato ou análise sobre determinado problema, que não coincida com a sua opinião.

6) Irrite-se sempre que escutar más notícias

7) Controle os horários de trabalho rigorosamente.

8) Intrometa-se na vida pessoal dos seus colaboradores, com aconselhamentos, discriminando aqueles que se opõe a sua participação.

9) Apoie a capacidade de persuasão e as performances cênicas durante as apresentações e exposições, em detrimento daqueles que se baseiam em abordagens objetivas, com clareza de ideias e argumentação lógica.

10) Combata as atitudes e posicionamentos dotados de personalidade e senso crítico, promovendo sempre o “senso comum” e as “frases de efeito”.

11) Não admita em nenhuma hipótese os erros que você mesmo cometeu. Isso pode enfraquecer a sua liderança.

12) Desaprove com vigor aqueles que assumem os seus próprios erros, por mais honestos que sejam, afinal de contas a sua empresa é um lugar para profissionais perfeitos.

13) Jamais assuma a responsabilidade diante de situações críticas ou que ofereçam risco ao seu prestígio.

14) Hipervalorize o sucesso, com total desaprovação sobre o fracasso. Afinal de contas, as pessoas que trabalham com você jamais fracassam. Nem você mesmo, claro.

15) Patrulhe o posicionamento dos seus colaboradores, exigindo que tenham sempre uma atitude politicamente correta.

A lista poderia ser mais longa, mas se conseguir evitar as situações que descrevemos, estará dando um grande passo para a maturidade profissional dos seus colaboradores, e da sua também.

Fonte: http://www.saiadolugar.com.br/2011/05/24/15-dicas-para-infantilizar-profissionais/

quarta-feira, 9 de março de 2011

E se você perguntasse a Deus todas as suas dúvida sobre sexo, o que acha que Ele responderia?

Bem... Segundo o autor do livro “Conversando com Deus”, ele fez exatamente isso... E, de minha parte, acho que ele realmente obteve uma resposta de Deus porque só Deus pra falar o que ele escreve... Veja abaixo o trecho do livro:


[AUTOR] O sexo é permitido? Qual a verdadeira história por trás dessa experiência? O sexo é apenas pra procriação, como dizem algumas religiões? A santidade e a iluminação são conseguidas através da negação – ou transmutação – da energia sexual? É certo ter sexo sem amor? Apenas a sensação física é um motivo válido?

[DEUS] É claro que o sexo é “permitido”. Mas uma vez, se Eu não quisesse que você participasse de certos jogos, não teria lhe dado esses brinquedos. Você dá a seus filhos coisas que não quer que eles brinquem?

Brinque com o sexo! É uma ótima diversão! A melhor que você pode ter com o seu corpo, se está se referindo a experiências estritamente físicas.

Mas por favor não destrua a inocência sexual, o prazer, a pureza e a alegria da diversão fazendo maus uso do sexo. Não o use para ter poder, ou com um objetivo oculto; para gratificação do ego ou domínio; com qualquer outros objetivo além da alegria mais pura e do maior êxtase - que é a nova vida! Eu não escolhi um modo delicioso de criar mais de vocês?

Quanto a negação, nada que é sagrado pode ser obtido através da negação. Contudo, os desejos mudam quando realidades ainda maiores são vislumbradas. Por isso, não é raro as pessoas desejarem menos, ou até mesmos nenhuma, atividades sexual – ou nenhuma de várias atividades do corpo. Para algumas delas, as atividades da alma se tornam as principais - e muito mais agradáveis.

O lema é: cada um que faça como quiser, sem julgamentos.

O final da sua pergunta é respondido assim: você não precisa ter um motivo para coisa alguma. Seja apena a causa.

Seja a causa da sua experiência.

Lembre-se de que a experiência produz a idéia do Eu, que produz a criação, que produz a experiência.

Você quer experimentar-se como uma pessoa que tem sexo sem amor? Vá em frente! Fará isso até não querer mais. E a única coisa que o fará – ou que poderá fazê-lo – parar com esse ou qualquer outros comportamento, é o seu novo pensamento que surge a respeito de Quem É.

É simples, e complexo, assim.

[AUTOR] Por que o Senhor tornou o sexo uma experiência humana tão boa, surpreendente e intensa se todos nós devemos evitá-la ao máximo possível? Eu não compreendo. E por que todas as coisas boas são “imorais, ilegais ou engordam”?

[DEUS] Todas as coisas boas não são imorais, ilegais ou engordam. Entretanto, sua vida é um exercício interessante de definir o que é bom.

Para alguns, “bom” significa sensações físicas. Para outros, pode ser algo totalmente diferente. Tudo depende de Quem Você Pensa Que É e do que está fazendo.

Há muito mais a ser dito sobre o sexo do que está sendo dito aqui, mas nada mais essencial do que isto: sexo é alegria, e muito de vocês tornaram-no tudo menos isso.

Sexo também é sagrado. Mas a alegria e o sagrado se misturam (de fato, são a mesma coisa), e muitos de vocês pensam que não.

Suas atitudes em relação ao sexo formam um microcosmo de suas atitudes em relação à vida. A vida deveria ser uma alegria, uma colaboração, e tornou-se uma experiência de medo, ansiedade, “insuficiência”, inveja, raiva e tragédia. O mesmo pode ser dito em relação ao sexo.

Vocês reprimiram o sexo como reprimiram a vida, em vez de expressar plenamente o seu Eu, com abandono e alegria.

Você se envergonha do sexo, como se envergonha da vida, chamando-a de ruim e pecaminosa, em vez de a maior dádiva e o maior prazer.

Antes que diga que não se envergonha da vida, veja as suas atitudes coletivas em relação a ela. Quatro quintos da população mundial consideram a vida uma provação, um débito cármico que deve ser pago, uma escola com duras lições que devem ser aprendidas e, em geral, uma experiência a ser suportada enquanto se espera pela verdadeira alegria, que vem após a morte.

É uma vergonha que tantos de vocês pensem assim. Não admira que se envergonhem do próprio ato que cria a vida.

A energia que está por trás do sexo é a energia que está por trás da vida: que é a vida! A atração e o desejo profundo, e com freqüência premente, de ir na direção do outro, de tornar-se um só, é a dinâmica essencial de todas as vidas. Eu a coloquei em tudo. É inata, inerente, está dentro de Tudo Que Existe.

Os códigos morais, as restrições religiosas, os tabus sociais e os contratos emocionais que vocês criaram em torno do sexo (e, a propósito, em torno do amor e de toda a vida) tornaram praticamente impossível celebrar a vida.

Desde o início dos tempos, tudo que os seres humanos sempre quiseram foi amar e serem amados. E desde o início dos tempos eles fizeram tudo ao seu alcance para tornar isso impossível. O sexo é uma expressão extraordinária de amor: amor ao próximo, amor por si mesmo e amor pela vida. Por isso, vocês deveriam adorá-lo! (E adoram, mas não contam isso pra ninguém; não ousam dizer o quanto o adoram, temendo ser chamados de pervertidos. Contudo, essa idéia é que é pervertida.)

Nada do que eu lhe dei é vergonhoso, muito menos seu corpo e suas funções. Não há necessidade de esconder o seu corpo e suas funções – ou o amor que sente por seu corpo, ou por alguém.

Seus programas de televisão não se importam de mostrar a violência explícita, mas se recusam a mostrar o amor explícito. Toda a sua sociedade reflete essa prioridade.

Extraído do livro “Conversando com Deus- volume 1”
Neale Donald Walsch (p. 238-240)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O último julgamento

Quando criança, no interior de São Paulo, ouvia junto com meu pai e meu avô muitas músicas sertanejas de raízes. Confesso que nunca fui fã de música sertaneja, mas algumas dessas bem antigas tinham uma história tão rica e uma sabedoria simples, porém única, que não consigo ver algo assim hoje em lugar nenhum.

Um exemplo é a música "O último julgamento" do compositor Leo Canhoto, cantada por muitos cantores sertanejos, dentre eles Chitãozinho e Chororó e Milionário e José Rico. Observem abaixo como a letra é verdadeira, espiritual (mais que muita música gospel), simples e atual (embora tenha mais de 30 anos). Era algo cantado na língua de gente que não tinha muito conhecimento disponível nem a enxurrada de informações que temos hoje. Eram pessoas simples, de formação simples, que compunham o que lhes vinham no coração:

Senta aqui neste banco, perto de mim
Vamos conversar,
Será que você tem coragem de olhar nos meus olhos
E me encarar,
Agora chegou sua hora
Chegou sua vez você vai pagar.
Eu sou a própria verdade.
Chegou o momento eu vou te julgar.
Pedi pra você não matar nem para roubar, roubou e matou.
Pedi para você agasalhar a quem tinha frio você não agasalho
Pedi para não levantar falsos testemunhos você levantou
A vida de muitos coitados você destruiu você arrasou
Meu pai te deu inteligência para salvar vidas você não salvou,
Em vez de curar os enfermos, armas nucleares você fabricou
Usando sua capacidade
Você destruiu você se condenou
A sua ganância foi tanta
Que a você mesmo você exterminou, o avião que você fabricou.
Foi para levar a paz e a esperança,
Não para matar seu irmão nem para jogar bombas nas minhas crianças.
Foi você que causou esta guerra destruiu a terra e seus ancestrais.
Você é chamado de homem mais é o pior dos animais.
Agora que está acabado para sempre vou ver se você é culpado ou inocente.
Você é um monstro covarde e profano é um grão de areia frente ao oceano.
Seu ouro falo alto você tudo comprou.
Pisou nos mandamentos que a lei santa ensinou a mim você não compra com o dinheiro seu.
Eu sou Jesus cristo o filho de Deus!

Quem quiser ouvir essa música acesse:
Embora eu não seja um adepto do sertanejo, tenho que confessar que eles produzem (e a muito tempo) um material bem mais rico do que muita coisa que ouvimos por aí. Há inúmeras outras músicas de igual teor que me recordo. Alguns exemplos: "Boi Soberano", "O menino da porteira", "Filho adotivo", "A coisa da feia", "Vida de palhaço" e por aí vai...

Quem sabe eles poderiam dar umas aulinhas pra alguns cantores e até estilos musicais que, cá entre nós, estão precisando urgentemente de ajuda, não é?!!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CONFISSÕES DE UM EX-DEPENDENTE DE IGREJA


Ótimo texto escrito por Paulo Brabo - criador do site http://www.baciadasalmas.com/

Outro dia um pastor observou que eu deveria confessar ao leitor impenitente da Bacia, que não tem como concluir isso lendo apenas o que escrevo, que não vou à igreja faz mais de dez anos. Ele dava a entender que essa confissão provocaria uma queda sensível na minha popularidade; percebi imediatamente que ele estava certo, e que mais cedo ou mais tarde teria, para podar os galhos da celebridade (porque a fama é uma espécie de compreensão), deixar de contornar indefinidamente o assunto.

Quanto mais penso na questão, no entanto, mais chego à conclusão que o que tenho de confessar é o contrário, e ao resto do mundo, não aos amigos que convivem com desenvoltura entre termos como gazofilácio, genuflexão, glossolalia e graça irresistível. Devo explicações à gente comum que vê o domingo, incrivelmente, como dia de descanso – dia de ir à praia, de andar de bicicleta no parque, de abraçar os amigos ao redor de um churrasco, de correr atrás de uma bola ou de encontrar a paz diante de uma lata de cerveja e uma tela radiante.
Preciso confessar que durante trinta anos fui consumidor de igreja. Durante trinta anos fui dependente de igreja e trafiquei na sua produção.

Devo confessar o mais grave, que durante esses anos abracei a crença (em nenhum momento abalizada pela Escritura ou pelo bom senso) que identificava a qualidade da minha fé com minha participação nas atividades – ao mesmo tempo inofensivas, bem-intencionadas e auto-centradas – de determinada agremiação. Em retrospecto continuo crendo em mais ou menos tudo que cria naquela época, porém essa crença confortante e peculiar (espiritualidade = participação na igreja institucional) fui obrigado contra a vontade, contra minha inclinação e contra a força do hábito, a abandonar.

Preciso deixar claro que não guardo daqueles anos qualquer rancor; de fato não trago deles nenhuma recordação que não esteja envolta em mantos de nostalgia e carinho. Ao contrário de alguns, não sinto de forma alguma ter sido abusado pela igreja institucional; sinto, ao invés disso, como se tivesse sido eu a abusar dela. Minha impressão clara não é ter sido prejudicado pela igreja, mas de tê-la usado de forma contínua e consistente para satisfazer meus próprios apetites – apetites por segurança, atenção, glória, entretenimento, aceitação.

Se hoje encaro aqueles dias como uma forma de dependência é porque acabei aceitando o fato de que a igreja como é experimentada – o conjunto de coisas, lugares, atividades e expectativas para as quais reservamos o nome genérico de igreja – representam um sistema de consumo como qualquer outro. As pessoas consomem igreja não apenas da forma que um dependente consome cocaína, mas da forma que adolescentes consomem telefones celulares e celebridades consomem atenção – isto é, com candura, com avidez, mas muitas vezes para o seu próprio prejuízo.

Todo sistema de consumo confere alguma legitimação, isto é fornece ao consumidor pequenas seguranças e pequenas premiações que fazem com que ele se sinta bem, sinta-se uma pessoa melhor (ou em condições privilegiadas) por estar desfrutando de um produto ou serviço de que – e isto é importante na lógica interna da coisa – não são todos que desfrutam.

As igrejas institucionais, por mais bem-intencionadas que sejam (e, creia-me, há muito mais gente bem-intencionada envolvida na criação e na sustentação delas do que seria de se supor) funcionam precisamente dessa maneira. Não é a toa que tanto a palavra quanto o conceito propaganda nasceram, historicamente falando, nos salões eclesiásticos. Se hoje há shopping centers e roupas de marca é porque a igreja inventou o conceito de propaganda e de consumo de massa. Foi a igreja a primeira a vender a idéia de que vestir determinada camisa e ser visto em determinada companhia demonstram eficazmente o seu valor como pessoa; foi a primeira a promover a noção simples (mas cujo tremendo poder as corporações acabaram descobrindo) de que o que você consome mostra que tipo de pessoa você é.

As pessoas que consomem igreja não têm em geral qualquer consciência de que estão se dobrando a um sistema de consumo, mas as evidências estão ali para quem quiser ver. A igreja não é um lugar a que se vai ou um grupo de pessoas que se abraça, mas uma marca que se veste, um produto que se consome continuamente. Tudo de bom que costumamos dizer sobre a igreja reflete, secretamente, essa nossa obsessão com o consumo – “o louvor foi uma benção”, “o sermão foi profundo”, “o coro cantou com perfeição”, “a palavra atingiu os corações”, “Deus falou comigo”. Em outra palavras, tudo que temos a dizer sobre a experiência da igreja são slogans. Na qualidade de consumidores, o que fazemos é retroalimentar nossa dependência, promovendo continuamente nosso produto na esperança de angariar mais consumidores e portanto mais legitimação.

O curioso, o verdadeiramente paradoxal, é que nada nesse sistema circular de consumo (ou em qualquer outro) tem qualquer relação com espiritualidade, com fé ou com a herança de Jesus. Ao contrário, sabemos ao certo que Jesus e os apóstolos bateram-se até a morte no esforço de demolir a tendência muito humana de encarcerar (isto é, satisfazer) os anseios emocionais e espirituais das pessoas em sistemas de consumo e legitimação (isto é, sistemas de controle).

O russo Leo Tolstoi acreditava que, diante da suprema singeleza do ensino de Jesus, levantar (e em seu nome!) uma máquina implacável e arbitrária como a igreja equivalia a restaurar o inferno depois que Jesus tornou o inferno obsoleto. De minha parte, vejo a igreja institucional como um refúgio construído por mãos humanas para nos proteger das terríveis liberdades e responsalidades dadas por Deus a cada mortal e que Jesus desempenhou de modo tão espetacular. Por outro lado, talvez esse refúgio seja ele mesmo o inferno.

No fim das contas você não encontrará na igreja nada que não seja inteiramente atraente e desejável, e aqui está grande parte do problema. Vá a um templo evangélico no domingo de manhã e o que vai encontrar é gente amável, respeitável, ordeira, de banho tomado, sorridente, perfumada e usando suas melhores roupas – e é preciso reconhecer que há um público para esse tipo irresistível de companhia. O bom-mocismo reinante é tamanho, na verdade, que não resta praticamente coisa alguma do escândalo inicial do evangelho.
Enquanto descansamos nesse abraço comum a verdadeira igreja, onde estiver (e talvez exista apenas no futuro), estará por certo mais próxima do dono do bar, da vendedora de jogo do bicho, do travesti exausto da esquina, do divorciado com seu laptop, dos velhinhos que babam em desamparo e das crianças que alguém deixou para trás. Certamente não usará gravata e não terá orçamento anual nem endereço fixo.

Portanto nada tenho contra aquilo que a igreja diz, que é em muitos sentidos bom e justo, mas não tenho como continuar endossando aquilo que a igreja dá a entender – sua mensagem subliminar, por assim dizer, mas que fala muitas vezes mais alto do que qualquer outra voz.

Com o discurso eclesiástico oficial eu poderia conviver indefinidamente (como de fato já fiz), mas seu meio é na verdade sua mensagem, e frequentar uma igreja é dar a entender:

1. Que aquela facção da igreja é de algum modo mais notável, e portanto mais legítima, do que todas as outras;
2. Que o modo genuíno de se exercer o cristianismo é estar presente nas reuniões regulares e demais atividades de determinada agremiação, ou seja, que a devoção é uma espécie de prêmio de assiduidade;
3. Que o conteúdo da crença é mais importante do que o desafio da fé;
4. Que o caminho do afastamento do mundo, segundo o exemplo de João Batista, é mais digno de imitação do que o caminho do envolvimento com o mundo, segundo a vida de Jesus
;5. Que o modo de vida baseado na busca circular pela legitimação é mais respeitável do que o das pessoas que conseguem viver sem recorrer a esses refrigérios;
6. Que o modo adequado de honrar a herança de Jesus é dançar em celebração ao redor do seu nome, ignorando em grande parte o que ele fez e diz.

Está confirmada, portanto, a ambivalência da minha posição em relação à igreja institucional. Por um lado, sinto falta dos seus confortos; por esse mesmo lado, respeito a inegável riqueza de sua herança cultural, que não gostaria de ver de modo algum apagada. Por outro lado, ressinto-me de que o nome singular de Jesus permaneça associado a um monstro burocrático no que tem de mais inofensivo e opressor no que tem de mais perverso, quando sua vida foi a de um matador de dragões dessa precisa natureza. Dito de outra forma, não tenho como condenar a permanência de alguma manifestação da igreja, mas não tenho como justificá-lo se você faz parte de uma.

Em janeiro de 1996 Walter Isaacson perguntou a Bill Gates a sua posição sobre espiritualidade e religião. Sua resposta entrará para os anais da infâmia – e não a dele. “Só em termos de alocação de recursos, a religião já não é coisa muito eficiente. Há muita coisa que eu poderia estar fazendo domingo de manhã”. Em resumo, o que dois mil anos de cristianismo institucional ensinaram ao homem mais antenado da terra é que religião é o que os cristãos fazem no domingo de manhã.

Só não ouse criticar o cara por sua visão rasa de espiritualidade. Fomos nós que demos essa impressão a ele, e só a nós cabe encontrar maneiras de provar que ele está errado.

Invente uma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tiririca = 1.350.000 votos!!!



São textos como esse abaixo que me fazem ainda sentir esperança no Brasil... Quem sabe pessoas com essa visão um dia passem a ser a maioria. Por enquanto, faço minhas as palavras de Arnaldo Jabor:



Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;

Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;

Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. ..

Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.



Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.

Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.

Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.



Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência.

O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.



Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.

Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.



90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira..

Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.

Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.

Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.

Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.



O Brasil é um pais democrático.. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei.

A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.

Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.

Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense!



O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.

Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... Malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?

Afinal somos penta campeões do mundo né??? Grande coisa...



O Brasil é o país do futuro.

Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram...

Brasil, o país do futuro !? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.



Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.



Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse texto, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.

Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

FAÇA A SUA PARTE (SE QUISER)


ARNALDO JABOR

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eleições

Este post é uma súplica para aqueles que vão votar. Não interessa em quem, mas antes gaste alguns minutos para vem quem é seu candidato de verdade.

PARA AQUELES QUE JÁ TEM ALGUÉM EM MENTE PARA VOTAR

Antes de votar no seu candidato, cheque se o mesmo está em dia com seus deveres civis em criminais. Isso pode ser feito em:
http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/jsp/index.jsp

Basta procurar por estado (ou escolher Brasil para a parte federal), depois o cargo e achar seu candidato. Ao encontrar, um clique no nome mostra a ficha completa dele para que possa ver todo seu histórico. Gaste alguns minutos antes de votar, isso faz muita diferença embora não pareça.

PARA AQUELE QUE AINDA NÃO DECIDIRAM

Se ainda não sabe em quem votar, há um site que pode ajudar de acordo com o que você diz sobre o que quer de um candidato. Acesse:
http://www.repolitica.com.br/

domingo, 12 de setembro de 2010

Uma rede social que pode salvar vidas

A iniciativa é muito legal. Um rede social que une as pessoas que querem doar sangue, as que já doam sangue, as que precisam de sangue e os voluntários que querem ajudar. Quem quiser saber mais acesse:



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Deus (Laion Monteiro)

Infelizmente, há muita teologia que ajuda a matar Deus. Deus me livre da teologia de vanguarda. Se, na arte, a “vanguarda” serviu pra justificar quem não sabia pintar, escrever ou fazer filmes, na teologia, serviu para fazer de Jesus um personagem de novela das oito. Nada contra a teologia, ao contrário, julgo-a uma disciplina essencial para nos ensinar a ver o invisível. Mas, como disse Heine em relação aos teólogos de sua época, “só se é traído pelos seus”.


Muito bom... Vale a pena uma lida no texto completo http://laionmonteiro.wordpress.com/2009/01/19/deus/