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segunda-feira, 15 de março de 2010

[parte 10] Quem é você quando ninguém está olhando? - ... concluindo

O livro termina com o autor usando a pessoa de Cristo para exemplificar esses traços de bom caráter.

Pessoalmente acredito que o livro seja uma boa leitura, desde que a apelação religiosa não aborreça que vai lê-lo.

A divisão e linha de raciocínio do autor é bem clara, bem didática, com exemplos práticos e de fácil assimilação. Há pontos de exagero e, em alguns momentos, falta um pouco de clareza nas definições, mas nada disso compromete o conjunto. Enfim, uma leitura rápida, simples e objetiva.

Rumo ao próximo!!!

[parte 09] Quem é você quando ninguém está olhando? - O AMOR RADICAL

Começa como um pequeno desentendimento. Depois alguém entende que o insultaram e replica com uma linguagem um tanto sarcástica. O sarcasmo provoca uma reação ríspida, que por sua vez gera uma ameaça, e esta um desafio. Nesse momento, entram em cena o brio (principalmente para o homem) e as intimidações. Ai ocorre a agressão física e pra amas é um pequeno pulo.

Essa simples narrativa resume o principal motivo das desavenças atuais e entra no cerne do assunto abordado pelo autor nesse tópico, o amor radical. O amor radical é o ultimo dos tipos de amores, ou das facetas do amor estudado pelo autor. Aqui ele levanta o amor que quebra o ciclo da hostilidade.

A maioria das coisas de nossa vida passa por uma seqüência de ações para acontecer. Os conflitos com hostilidade não são muito diferente. Como visto no inicio, conseguimos enxergar nitidamente que a narração levará para uma briga e serve para várias situações cotidianas. Transito, colegas de trabalho, amigo, cônjuges, família... Então surge a dúvida, como evitar isso de uma maneira praticável e quanto queremos isso? Fazer tal feito exigirá mudanças radicais em nosso comportamento e teremos que estar bem dispostos a isso.

A primeira maneira de evitar o ciclo da hostilidade é passar a pensar além dos direitos legais. Particularmente acredito que ficamos tão irados não pelo fato de sermos prejudicados, mas de como estamos sendo prejudicados. Se alguém simplesmente fecha você no transito ou fura a fila a sua frente sem dar a entender que tem uma urgência, isso nos enfurece. Mas se por algum modo fica claro que a pessoa precisa fazer isso e que você poderia ajudá-la permitindo tal ação, fica bem mais fácil de assimilar isso e não se aborrecer.

Experimente, da próxima vez que alguém lhe deixar irritado, imaginar o porque a pessoa fez aquilo? Imediatamente virá uma série de conclusões. Então perceba quantas dessas conclusões são apostando que a pessoa é má e quantas são apostando que pessoa não fez por mal ou não percebeu. Se conseguir, opte por pensar na opção mais positiva. Você ficará surpreso como pensamos negativamente e como a vida fica mais fácil quando optamos pelo lado mais positivo. Obvio que existem as exceções, mas então o foco entra na questão se você não vive mais na exceção do que na ação que faz bem a você.

A segunda maneira de evitar o ciclo da hostilidade é fazer além do que mínimo necessário, principalmente nas pequenas coisas do dia a dia. Isso ajuda principalmente nas verdadeiras guerras frias que travamos: separações, desconfiança, alienação, amargura e etc. Isso muitas vezes não está afetando nosso direito por lei, mas pode acabar em algo bem pior. Esse ciclo pode ser evitado se fazemos um pouco a mais do que nosso mínimo. É o famoso e difícil andar mais uma milha. Nosso adversário principal nessa luta nem sempre é a hostilidade, outro agente bem visível é a sociedade e seus conceitos.

Particularmente eu tenho muita dificuldade com isso, mas devo confessar que as vezes que consegui fazer algo assim me senti melhor como pessoa, sem ligar ou contar com os bons frutos que surgiram. Mas que é difícil, é sim e muito.

[parte 08] Quem é você quando ninguém está olhando? - O AMOR SACRIFICIAL

Esse capítulo poderia se chamar “aquilo que ninguém acredita ser amor”. Vamos ser honestos, ninguém vincula sacrifício a amor, parece contraditório, bobo, ato de burrice ou algo do gênero.

Claro que quando você escuta falar que uma mãe deu sua vida por seu filho, ou o marido pela mulher, irmão por irmão e alguns outros casos pensamos “é, há casos e casos, mas realmente há essa possibilidade

Mas e coisas mais simples que exigem um sacrifício não tão drástico assim? O autor cita três coisas que são pontos chaves em nossa vida e que, pra mim, são bem complicadas de serem sacrificadas por amor: nosso tempo, nosso vigor e nosso dinheiro.

Não deixa de ser nenhuma novidade essa classificação, mas vale atentar para a palavra vigor. Geralmente ouvimos a palavra “saúde” para classificar essa área importante de nossa vida, mas realmente a palavra vigor expressa melhor isso. Não é nossa saúde que é tão importante pra nós (infelizmente), é nossa disposição ou ânimo que realmente conta no fritar dos ovos.

Acreditamos no amor, queremos amar, mas quando temos que sacrificar algum desses itens em prol desse amor a coisa fica mais complicada. Então fica a pergunta, sacrificaríamos algo desses três bens? Por quê? Por quem? Em que momento?

Vamos iniciar pela pergunta básica, porque o amor exige sacrifício? Uma frase que o autor trás resume bem a resposta: “Nossa felicidade pessoal nunca vem por meio da satisfação de nossos desejos pessoais”. Se essa frase soou como algo comum, sem sentido ou algo que não concorde, sinto em informar mas você não conhece o que é amor e acredito que o resto do texto não lhe será útil ou interessante. Mesmo que fique bravo com minha possível arrogância em fazer tal afirmação, todos que amam concordarão que estou certo em afirmar isso.

Dado esse princípio, fica inevitável que em dados momentos tenha que sacrificar seu tempo, vigor e dinheiro para que consiga ter sua verdadeira felicidade pessoal. Então enfrentará um terrível inimigo: seu meio de vida.

Hoje estamos na era do egocentrismo, tudo gira em torno do slogan “Você é o numero um. Cuide de si mesmo. Não deixe que os outros tomem seu tempo. Guarde suas energias, junte seus recursos e você será feliz”. Os livros são sempre com títulos “pense e enriqueça”, mas são poucos com a coragem de ter no título algo como “ame e dê tudo”.

Passando para o amor com sacrifícios nas relações, se sintetizarmos o que consideramos hoje um bom casamento listaríamos o seguinte:
  • O casamento deve enriquecer a vida dos envolvidos emocionalmente, deixando-os melhor do que viviam quando solteiros
  • O casamento não pode ser proibitivo no desenvolvimento dos potenciais individuais
  • No casamento não se deve colocar as necessidades do outro acima das suas

O autor contesta isso com fervor e define o verdadeiro casamento da seguinte maneira: os cônjuges se olham e dizem um ao outro “Eu o(a) amo, e isso significa que me comprometo a servi-lo(a), a edificá-lo(a) e a encorajá-lo(a). Tenho plena consciência de que terei de empregar tempo, vigor e dinheiro, mas quero colocar os seus interesses na frente dos meus. Eu fico atrás; você vai na frente.

Particularmente, tirando a parte de colocar os interesses do outro na frente do seu, eu concordo com o autor. Tiro essa parte porque não acredito que seja esse o caminho pra que as coisas dêem certas, ou seja, não acredito que fazer o que o outro quer acima do que você quer seja algo construtivo. Acredito sim que deva ser estabelecido o que ambos querem em comum antes do casamento (ou no casamento) passando a ser os interesses do casal e assim ficando a frente dos interesses particulares.

Também não acredito haver conflitos entre o que o autor define como correto e o que a sociedade hoje define como deva ser um casamento. Como você trará amadurecimento emocional, sentimental, financeiro, enfim em todas as áreas de sua vida sem sacrifícios? Porque seus interesses principais seriam tão fora de uma realidade de convívio a dois e ainda sim você deseja esse convívio? Acredito que a definição do autor mostra o caminho de como concretizar o que queremos em um relacionamento.

Eu iria mais longe, será que estamos sendo honestos conosco e com quem amamos quando pensamos nessas questões, principalmente antes de casarmos? O que poderíamos ou não ceder sem transferir mais tarde sua frustração para o parceiro por não ter feito ou seguido o que queria?

Para aqueles que já estão casados, a coisa fica mais focada: é preciso sentar, conversar com sinceridade extrema sobre esses pontos, definir junto o que querem e escrever isso pra que não há “confusões” ou “esquecimentos” futuros. Isso eliminaria os sacrifícios? Não, mas ao menos deixariam todos mais cientes dos obstáculos e sacrifícios principais que iriam fazer.

É claro que há considerações em um casamento que são muito particulares, mas a grande maioria pode se aplicar tranquilamente às amizades, família, trabalho e em questões pessoais, ou seja, você e você mesmo.

O amor sacrificial nos faz crescer, sermos felizes de verdade, melhor individualmente e coletivamente, deixa nossos relacionamentos maravilhosos e assim vai... Mas porque é tão difícil? Porque quando começamos a fazer isso pra valer fica extremamente desgastante. Abrir mão, sacrificar, doar tempo, vigor e dinheiro exigem muito porque isso vai alem de um ato propriamente dito, após o ato você precisa conviver com a conseqüência do ato e assim tocar a vida. Pra isso o auto nós dá algumas dicas de como nos reabastecer desses desgastes.

A primeira dica se refere ao abastecimento da alma ou do espírito. Quando ficar complicado demais fazer essas doações vá SOZINHO para um lugar tranqüilo, medite sobre isso, tenha em mente que nada é imediato e, se já colheu algum fruto por conta do sacrifício, coma esse fruto nesse momento pra se fortalecer.

A segunda dica refere-se ao abastecimento da sua parte emocional e é muito simples, descanse. O problema é que a maioria não descansa como acredita que faz. Descansar é conseguir relaxar de verdade, sem telefone, e-mail, tumulto e afins. Para facilitar, pense no lazer como uma ótima forma de fazer isso.

A terceira e ultima dica diz respeito ao reabastecimento físico. Quase obvio, diz respeito a exercícios e boa alimentação. Não vou escrever muito aqui porque isso é debatido e falado por muitos de muitas formas, mas atente pra isso porque pode estar aí a chave não só de um reabastecimento e sim de uma vida plena.

sábado, 13 de março de 2010

[parte 07] Quem é você quando ninguém está olhando? - O AMOR COM FIRMEZA

“Serpentes! Raças de víboras! Como vocês escaparão da condenação do inferno?”

É com frases assim que o autor inicia esse capítulo. Embora quem a proferiu (Jesus Cristo) seja o ícone do amor até os dias de hoje, tais frases parece não condizer com seus ensinamentos quando se observa o contexto delas. Isso mostra que o amor também deve ser firme em determinados momentos. Mas por quê? Para honrar a verdade. Não a meia verdade ou aquilo que queremos dizer, mas a verdade pura, simples, direta.

Para aqueles que gostam do racional, amor engloba ser honesto, ser franco e a franqueza leva a verdade. Muitas vezes temos a obrigação de falar francamente, sem rodeios para evitar confusões e mal-entendidos. Você pode usar tons mais brandos para falar em alguns casos, mas o segredo é ser sincero e ir direto ao ponto.

O engraçado é que esse assunto tem um lado muito peculiar que passa desapercebido para muitos, inclusive os duros de coração que em teoria fazem isso com mais facilidade.

José começou um namoro com Maria e tudo está muito bem. O tempo vai passando e Maria percebe algumas ações em José que lhe incomodam. Maria pensa em como vai falar isso com José, mas sem que isso vire uma briga entre eles. Então um dia, um amigo de José (Antonio) faz algo idêntico a aquilo que Maria não gosta em José. Maria aproveita para fazer um comentário sutil: “Eu não gostei nada do que o Antonio fez, alias não gosto de ações assim feitas por ninguém”. José acata aquilo como um comentário de sua amada sobre seu amigo, pensa em até dar um toque pra ele se for o caso, mas decide deixar pra lá. Maria por sua vez vê uma raiva crescendo dentro dela porque percebe que José, mesmo depois de seu comentário, não mudou em nada.

Começa então um ciclo. Toda vez que José repete a ação que Maria não gosta, sua raiva cresce até que chegará um dia que isso atingirá um limite. O tempo passa e, certo dia, José faz um ato simples que Maria não se agrada. Uma explosão acontece, uma briga gigante se inicia e na mente de José só passa uma coisa “Mas porque Maria ficou tão furiosa por essa ação tão simples?”, então José se assusta e começa a achar que na verdade Maria não lhe ama como achava. Maria por sua vez já está achando a muito tempo que José não a ama, senão já teria parado com aquela atitude que lhe incomoda a tanto tempo e que, diga-se de passagem, ela já deixou bem clara que a incomodava.

Essa historinha acima resume uma vasta cadeia de desentendimentos hoje. São desentendimentos nos relacionamento, entre amigos, no trabalho, família. Todos seguem essa mesma linha de ação. O que é preciso fazer pra quebrar o ciclo. Como tentar não cair nesse ciclo?

Preservar a harmonia ou dizer a verdade direta?

Acredito que o mais interessante é manter um bom senso entre coisas que realmente importam e outras que servem mais para mantermos a regra da verdade direta. Uma dica importante é, no mínimo de dúvida, a verdade direta sempre.

Deixar as pessoas com suas ações lhe prejudicarem (seja em que sentido for, mesmo que mínimo) não fará bem a você, que começará a nutrir certo sentimento por conta disso, e nem à pessoa em si, que não saberá que aquilo o está prejudicando.

Contudo é obvio que dizer a verdade direta, na maioria das vezes, trará incômodos. Então...

Prepare-se para ser firme

A primeira coisa que precisa fazer é deixar bem claro pra você o que realmente te incomoda. Esse é um trabalho individual e que precisa ser exercitado, mas consiste em responder algumas perguntas importantes:
  • Qual a causa real e específica do problema ou da insatisfação?
  • É algo grande ou pequeno pra você?
  • É algo que se pode evitar ou é inevitável?
Após isso bem claro, examine seu estado emocional. Você está emocionalmente preparado para falar sobre isso com a pessoa afim de realmente resolver? Está certo que se houver alguma hostilidade ou resistência, não irá acabar em briga?

Passado essas duas etapas, você precisa escolher o lugar e momento certo. Há assuntos que não dá pra conversar em um elevador ou durante uma reunião de trabalho. É bom ter o mínimo de bom senso em abordar a pessoa em um momento que ela fique mais receptível.

Enquanto isso reserve alguns momentos do seu dia para pensar e se preparar sobre isso. Reflita sobre o que vai falar e principalmente em como vai falar. Faça a seguinte pergunta: O que alguém com a mentalidade do amor falaria no momento da conversa?

Voltando ao nosso exemplo... Após Maria sentir-se incomodada com aquelas ações de José, ela pensa se aquilo realmente algo que lhe vai incomodar sempre. Descobre então que é. Pensa então se é algo que José vai ficar muito aborrecido em ser abordado e já sabe que sim, ele vai ficar bem aborrecido.

Passa algum tempo a pensar sobre como falar com José sobre isso sob a óptica do amor, então em um dia que estão sozinhos em um parque, Maria chama José para sentar e começa:
- Sabe, percebi que ao longo do tempo que estamos juntos, você sempre faz uma determinada ação. Contudo isso está me incomodando...

Então Maria explica o porque de seu incômodo, que está trazendo isso a ele para que possa entender e tentar achar algo bom para os dois e etc. José fica furioso com isso e se coloca a falar alto e discutir. Maria, que já está com seu espírito preparado e calmo, não dá prosseguimento a discussão e aguarda José se acalmar. Assim que ela vê que ele está mais brando, procura entender melhor o motivo do nervosismo dele e trata-o de maneira a respeitar seus motivos iniciais. Geralmente essa conversa acaba muito bem depois da tempestade, mesmo que essa tempestade dure dias. Será ações assim que vão tornar o casal mais unido e confiante um no outro, desde que isso seja praticado por ambos.

Há os casos que a pessoa não aceita ceder, ajustar. Nesses casos não é a ação que lhe incomoda o alvo da preocupação e sim o relacionamento como um todo. Compensa continuar dessa forma? Alguém que ama de verdade poderia ceder nisso? Acredito que isso daria muitos posts (risos).

sexta-feira, 12 de março de 2010

[parte 06] Quem é você quando ninguém está olhando? - O AMOR COM COMPAIXÃO

Antes de iniciar, preciso lembrar (ou relembrar) algo bem importante e que me veio à mente quando falamos de amor: Amar não necessariamente significa sentir algo por alguém, no sentido literal. Não é algo fácil de explicar, muito menos de entender, mas tentarei dar um exemplo pra facilitar.

Imagine você dirigindo em um trânsito intenso. Daí, sem aviso prévio, alguém que está no carro ao lado te fecha com tudo, quase bate no seu carro e ainda buzina pra você querendo dizer que está errado.

Nesse caso o amar é simplesmente não revidar e deixar isso pra lá, não entrando aqui no mérito da dificuldade ou do por que. Veja que amar não significa necessariamente ter um sentimento de amor para a pessoa que fez a ação propriamente dita. Se tomasse essa atitude de amor do exemplo, você não está amando a pessoa do motorista diretamente, mas sim demonstrando uma atitude de amor pra com ele e com os outros ao redor. Uma coisa é amar alguém ou algo, outra coisa é ter ações e comportamentos que vem do amor. Todos vêm do amor? Sim, mas nem todos ser referem ao mesmo tipo de amor.

Voltando ao livro, para ilustrar aonde o autor quer chegar, ele narra algumas histórias que mostram a seguinte situação: pra um mesmo acontecimento, pessoas tem atitudes totalmente diferente mesmo sendo de mesma família, mesma mãe, mesmo pai e mesma criação. Daí surge a pergunta que todos se fazem, porque isso ocorre?

Veja um caso típico: Uma família (pai, mãe e dois filhos) tem um animal de estimação a muito tempo. Após esse longo tempo, o animal está em um estado que sofre muito, então é necessário executá-lo para não prorrogar sua dor. Pra essa situação você verá que um dos filhos não permitirá isso em nenhuma hipótese e outro vê que isso realmente é necessário.

Para entender melhor, o autor divide essa questão em dois tipos de “amores”: os insensíveis que precisam do amor com compaixão e os compassíveis que precisam do amor com firmeza. Nesse capitulo o autor trata dos insensíveis e da necessidade do amor com compaixão.

Tenho que convir que o autor faz um excelente trabalho nesses capítulos que fala sobre o amor. Ainda traz muita religiosidade para o texto (até porque o ato de amar é sempre citado nas religiões como o sentimento principal), mas a maneira que ele aborda esses traços do bom caráter é bem interessante.

O dilema dos insensíveis

Faço questão de transcrever um trecho do livro onde o autor relata de forma esplêndida como pensa uma pessoa insensível:

“Se nós, cristãos de coração mais duro, formos sinceros, teremos de admitir que nosso jeito firme de ser pode ferir alguém. Brincamos com pessoas com quem não deveríamos brincar, e , quando percebemos que se ofenderam com a brincadeira, ainda dizemos: Puxa! Mas não se pode nem brincar com você?.

Não sabemos ouvir bem. Muitas vezes, quando alguém fala conosco, estamos pensando em outra coisa, ou respondendo mentalmente ao que ele está dizendo. Ficamos admirados porque algumas pessoas são tão fracas e tímidas. Usamos as pessoas e depois nos descartamos delas sem a menor consideração, pois já serviram aos nossos propósitos. Ainda que não percebamos, os outros afirmam que agimos com superioridade. Sempre achamos que estamos certos, adoramos competir e vencer. A verdade é que lá no intimo vemos as pessoas de coração terno como emocionalmente fracas ou psicologicamente desequilibradas. Nós não a entendemos. Contudo em nosso momento de reflexão, que quando muito ocorre semestralmente (em gral como resultado de alguma crise), não gostamos nada do que vemos em nosso interior.”

É a típica visão do insensível. Não que seja assim porque ele quer, mas é porque simplesmente não consegue ver diferente. Então como deveria ser? O autor começa a direcionar então para os paralelos entre o que o insensível vê e o que o amor vê.

Enxergando e sentindo tudo como os olhos do amor

“Quem não conhece gente de coração endurecido. São aqueles que geralmente estão sempre correndo. Vão aos mais diversos lugares e são empreendedoras. A adrenalina está sempre elevada. Possuem metas a atingir, quotas a alcançar e acordos a fechar. Para elas, o que estão fazendo é tão importante que só conseguem ver os outros pelo seu próprio ponto de vista, de acordo com seus interesses. E eles não passam de meios para elas atingirem com seus propósitos, ou de obstáculos que as estão atrapalhando. Para quem tem um coração insensível, que vive a corre, o ser humano é uma ferramenta a ser usada ou problema a ser evitado.

As pessoas insensíveis tendem a ver os homens como ganhadores ou perdedores, pesos pesados ou peso-mosca, vitoriosos ou incapazes, lúcidos ou desequilibrados. Não conseguem perceber que ninguém é um simples objeto – que todo ser que vive, anda e respira é algo único. Tem dificuldades para compreender que os perdedores e os incapazes são tão importantes para Deus quando os vencedores e os sobreviventes...”

A narrativa acima também foi estraída do livro e parecer ser muito dura, certo? Se você não achou duro demais é porque sabe o quão infelizmente resume a verdade. Mas se achou muito dura e acha que está longe disso, pense melhor.

Certo dia João foi contratado para ser mecânico em uma oficina. Chegando no seu primeiro dia de trabalho, conheceu seus companheiros e, como acontece com todos instintivamente, já detectou aqueles que são os mais habilidosos até porque sempre há comentários desse tipo. A pergunta agora é quem João vai dar mais atenção nos dias seguintes na oficina? Pra quem ele parará um serviço e lhe ajudará prontamente se for pedido? Todos os mecânicos ou aqueles que ele viu que são os melhores da oficina?

Se você acha que João vai dar preferência ao que sabe mais, o que João vai fazer com esse que sabe mais quando ele não for mais útil (não saber mais que ele)? Veja que é apenas uma forma branda do que é narrado acima.

Todavia não é o objetivo aqui ver se isto é certo ou errado nesse caso. O problema é a falta de visão que sempre temos pra esses fatos. Generalize essa situação e você verá que chegaremos aos extremos que vemos hoje tão rotineiramente. Passamos a desprezar quem não nos é lá muito útil.

Que existe gente que não é assim, concordo. Mas o grande problema é que existe gente que ACHA que não é assim. Como seria então a visão do amor nesses casos? Convido a você que me acompanhe em uma simulação interessante que fiz baseada nesse assunto.

Nosso mundo virtual

Imagine que você criasse no seu computador pessoal um mundo virtual. Estipulasse todas as regras físicas para o lugar e colocasse nele alguns seres dotado de certa inteligência para ter consciência de si mesmo e sentir algo bom em viver a vida que você criou pra eles, no capricho. Mas como você sabe que às vezes precisa direcionar algo neles pra ajudá-los, decide então criar um link em cada um deles pra mandar informação quando achar que deve. Gostou da idéia do link e decide então permitir que eles usem entre eles esse dispositivo. Afinal você sabe que sem conexão, não há como existir ninguém em um mundo virtual que se preze.

Os seres conhecem e sabem das regras físicas do local, estipulam entre eles algumas regras sociais para tentar conseguir conviver um com os outros sem se destruir e para poder apreciar a vida que tem. Assim seu mundo segue por alguns dias.

Bom, agora você está observado os seres “viverem” no seu mundo virtual. Seus serem começam então a ter situações totalmente diferentes um dos outros. Uns passam a quebrar as regras e fazerem o que não foi combinado entre eles mesmos, sem se importar com isso. Outros questionam se o que foi combinado é realmente bom pra todos. Você aciona o link e tenta mandar direcionamentos pra eles, mas eles passam a ignorar.

Passam-se então mais dias e você percebe que a vida dos seus seres, no seu mundo virtual, está complicada e propensa a terminar porque eles mesmos estão se destruindo.

Você revê como os construiu pra ver se dá pra mudar algo, tentar refazer seu mundo virtual e conseguir manter tudo conforme o planejado, afinal seus serem foram feitos pra serem felizes. È quando vê que não tem o que mexer a não ser que tire a inteligência e a capacidade de perceber quem são e isso você acha inadmissível, afinal é isso que torna o seu mundo virtual algo diferente. Tem que pensar em outra coisa.

O link não está mais surtindo nenhum efeito e a coisa está complicando. Você pensa "Será que deveria intervir no mundo mundo virtual mais diretamente? É... É uma boa opção". Mas como fazer isso de forma eficaz? Entrar nos seres e mudar sua programação vai aliviar isso, mas como já aconteceu, cedo ou tarde eles voltarão a ficar assim.

Bom, vou reiniciar o mundo virtual e deixar só alguns mais propensos a não autodestruição pra ver se funciona” – pensa você então. Cria alguma catástrofe gigantesca no seu mundo virtual e deixa sobreviver só alguns poucos e bons que acredita poder gerar seres melhores depois. Faz isso algumas vezes e nada.

Durante todo esse processo, você nunca desiste de tentar o link com eles. Aqueles poucos que aceitam, nitidamente passam a ser serem bem mais felizes porque eles passam a entender os outros serem instintivamente e também porque você consegue guiá-los. Mas a grande maioria te ignora fervorosamente. "Porque fazem tanta questão de rejeitar o link?"- pensa você sem entender muito isso.

Mas você decide persistir, afinal quase seis meses já se passaram, você está se dedicando a eles há tanto tempo e precisa fazer algo, senão mesmo que comece outro mundo, vai acabar assim. Além disso, gostou do que fez nesse, horas e horas de preocupação, tempo, esforço... "Com certeza tem algo que dá pra fazer" - pensa e comprova isso ao ver alguns seres que realmente valeu a pena ter criado. Quer ver seus seres ficarem todos assim, se desenvolverem, fazerem o que verdadeiramente foram criados pra fazer, viverem a vida de forma plena.

Já sei” - pensa orgulhoso - “Vou eu mesmo definir algumas regras sociais pra eles, pra ajudá-los”. Decide então que precisa falar com eles e passar as regras que você sabe que farão as coisas melhorarem. Aí surge outra questão, como entraria no mundo virtual pra fazer isso? (lembre-se que seu link não está mais ativo, pois ele ignoram tudo que manda por esse meio) “Acho que vou fazer aparecer lá um falante voador que vai transmitir pra eles o que vou falar. Isso vai causar espanto e eles vão ouvir” - pensa. Você cria e coloca pra eles um auto falante voador. Pega seu auto-falante voador, escolhe um daqueles poucos que o link funciona bem e começa por seu plano em ação.

No começo até dá algum resultado, mas depois você vê que na realidade tudo é só aparente porque ficaram com medo da voz, não porque mudaram de verdade. Assim que perderem o medo vai voltar a ser igual tudo de novo. Decide então sair de cena pra ver se deu certo. Nada! Voltou a mesma coisa, ou seja, estão novamente em rota de destruição.

Claro que sua persistência no link nunca parou, afinal esse era para ser o meio principal de comunicação. Simples, fácil, sem problemas. Mas eles parecem que fazem por capricho rejeitar o link. Cada vez mais. Mesmo assim você nunca vai deixar de tentar... Vai que eles acordem pra verdade, vejam como os poucos que aceitam o link ficam bem e decidam experimentar também.

Que povo mais teimoso não?! “Vou criar um AVATAR (um exemplar de ser nativo em que eu tenha acesso direto e comande tudo nele), entrar lá dentro e ver se consigo falar na língua deles, mostar a besteira que estão fazendo e ver se eles param de ser tão burros” – pensa você super animado porque acredita que isso vai resolver os problemas.

Sabe o que acontece?! Eles simplesmente matam seu avatar quando você decidiu começar a passar pra eles como as coisas tinham que ser de verdade. Seu sangue ferve!!! “Não acredito que fizeram isso... Ahh... Vou matar todos esse povo!!!” pensa você no alto de sua ira.

Mas porque os serem fizeram isso? Pesquisa seus códigos que você mesmo programou e percebe que, na visão de seus seres, seu avatar estava distorcendo as regras que eles criaram. “Que absurdo” - você pensa – “Eu distorcendo?!! São eles que inverteram tudo, estão se auto destruindo e tem a pachorra de achar que eu estou distorcendo?!!!”.

O que fazer então?...

Veja, é uma simulação de um jogo que até existe mesmo na internet, claro que não nesses detalhes. O “link “que falo nesse exemplo é o amor, algo que nos une. Mesmo que você não acredite em Deus (nesse exemplo simplório, a pessoa que tem o computador), não há como negar que há algo em nós que, nos memento que o bicho pega de verdade, nos faz ficar juntos e trabalharmos juntos.

Mas porque não funciona no dia a dia? O que falar pra aqueles seres entenderem que estão em rota de destruição? Quem sabe se eles pudessem imaginar como seria ver o mundo virtual deles do ângulo de seu criador, ver como seus códigos estão bem projetados, tudo está certinho, que eles foram criados pra ter uma vida plena... Quem sabe asssim veria que toda essa dureza, rispidez, racionalidade, enfim tudo isso é algo muito pequeno, ou até microscópio, frente ao universo que vive e ao caminho que podem caminhar.

Então um duro de coração questiona: "Se eles tivessem a percepção do criador, eles iriam continuar a trabalhar, batalhar em seu dia a dia?" Claro que sim, se não morreriam de fome porque o local que eles vivem exige isso. A pergunta certa seria: Mas porque batalhar entre eles? Individualizando, porque cuidar só do dele e o resto que se exploda, não importa em que sentido? Se o resto explodir, que vai adiantar ele ter cuidado da parte dele? O que adiantou batalhar tanto em busca de algo, se depois aquilo que deixamos pra trás por esse enorme trabalho será o que no fundo mais importava... E o pior que eles (nós) sabem disso.

Isso é o que o amor vê, sente e pensa. É o que o insensível não consegue entender e tem que aprender a ver, sentir e pensar senão estará cada vez mais perto de sua destruição.

Vamos voltar ao exemplo do motorista do começo desse post. O que adianta chingá-lo ou buzinar? Você vai ensinar o que pro motorista fazendo isso? O que você ganha? "Eu fico aliviado de por a raiva pra fora, extravasar" dizem alguns mais insistentes. Então a pergunta é, porque algo assim lhe traz tanta raiva a ponto de ariscar sua saúde pra extravasar com outros que está como você (senão ele não teria feito algo tão hostil, concorda?). Digo ariscar a saúde porque assim como você está extravasando sua raiva, o outro também pode pensar assim e revidar. Onde acabará? Voltando, o que vai ganhar além do acúmulo de frustração? Em suma, é mais um ciclo vicioso destrutivo dentre muitos que nós duros precisamos quebrar antes que sejamos destruídos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

[parte 05] Quem é você quando ninguém está olhando? - A PERCEVERANÇA

Particularmente achei esse o capítulo mais fraco do livro até o momento. O autor faz uma reflexão óbvia sobre perseverança. Coisas como “é infinitamente mais fácil desistir do que perseverar” e "o preço que na maioria das vezes se paga pela desistência".

Perseverança: O grande prêmio

É feito um exercício de como seria se alguém pudesse ganhar o caráter perseverança como um prêmio de loteria. O autor simula uma entrevista após alguns anos com o ganhador onde é colocado o quão bom foi ter ganhado a perseverança. Coisas com estabilidade, conclusão de projetos profissionais e pessoais, melhora conjugal e outros assuntos correlacionados são apontados como conseqüências do prêmio.

Finaliza esse tópico dizendo que o pseudo ganhador afirmaria categoricamente que ganhar esse prêmio foi muito melhor do que ganhar US$ 10 milhões (eu tenho minhas dúvidas, risos).

A geração imediatista

Lamentamos muitas vezes pelos problemas. Temos a sensação que estamos passando sempre mais do que deveria e fica sempre mais fácil e prático “deixar pra mais pra frente”, “empurrar com a barriga”, em suma, desistir.

É rara a situação que encaramos um problema como algo que nos aprimora, que pode abrir oportunidade. Isso é agravado pela necessidade do “tudo pra ontem”. Quase tudo hoje sofre desse mal. Desde o chefe até os filhos, pares e amigos, todos sempre querem ou precisam que suas ações sejam beirando a velocidade da luz. A isso o autor chama de “geração imediatista” e temos que convir que é a mais pura realidade.

Os momentos de maior desânimo

Aqui o autor traz uma frase que resume o tópico: “Desenvolvemos perseverança aprendendo a suportar com firmeza os momentos de maior desânimo”. Honestamente, quando li essa frase, somando ao resto do conteúdo do tópico, tive um grande desejo de inserir algo dentro desse livro em forma de resposta ao autor do tipo: “JURA?! Se você não fala isso eu nunca iria saber...” (risos).

Doce alívio

Algo hoje que se vê e quase ninguém percebe é a exaltação à desistência. Televisão, psicólogos, amigos... Todos com a mesma dica: “Deixa isso pra lá, parte pra outra”. E isso vem sendo usado em relacionamentos, trabalho, família... Enfim, pessoalmente não sou adepto de viver fazendo coisas que não se goste, ou seja, ficar “malhando em ferro frio” como dizem, mas realmente se percebe que há alguns exageros nesse ponto e isso pode gerar conseqüências serias mais pra frente.

Mantendo-nos firmes

Um ponto interessante por ele abordado é o preço da desistência e esse preço, algumas vezes, é bem alto. Então acredito que vale uma reflexão a respeito dessa relação entre desistência e custos futuros quando nos depararmos com um cenário problemático.

O restando do tópico é redundante, fala que devemos ser sempre perseverantes. Algo que faltou ao autor foi um pouco mais de equilíbrio e “novidade” sobre o assunto.

Por exemplo, todos sabem que, algumas vezes, perseverar pode levar a ruína. O grande segredo então é saber quando devemos fazer isso. Outro ponto interessante seria dicas de como ser perseverante como o autor fez em alguns outros capítulos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

[parte 04] Quem é você quando ninguém está olhando? - A VISÃO

A terceira características que o autor adota como fazer parte de um bom e raro caráter é a visão. Acredito que todos sabem o que é mas para os desavisados, ter visão é ver além do que é obvio.

Por exemplo, conta-se uma vez que havia dois vendedores de sapato, um era conhecido por ser um vendedor comum e outro um vendedor com visão. A empresa teria que enviar um de seus vendedores para um país distante com a finalidade de expandir seu mercado. Decidiu enviar o vendedor comum. Após algumas semanas uma carta do vendedor chega com a seguinte mensagem: “Mandem-me a passagem de volta. Aqui ninguém usa sapatos, portanto não há mercado a explorar”. O dono da empresa decidiu então trazer o vendedor normal e enviar o vendedor de visão. Passado uma semana, chega uma carta do vendedor com visão dizendo: “Mandem navios de sapato, aqui ninguém usa sapatos e temos um mercado inteiro pra explorar!

Uma pessoa de visão não é apenas um otimista. É uma pessoa que vê oportunidades reais onde as pessoas normais não percebem.

Por que é difícil encontrar homens de visão?

O autor coloca de forma clara e sucinta o motivo: porque dá trabalho. Achei muito perspicaz, simples e expressa bem o problema. Como o autor mesmo coloca “é mais fácil seguir a correnteza e fazer o que é esperado”.

Enxergando soluções

Para entender melhor o que o autor quer passar, ele divide em três as maneiras de ter visão.

A primeira maneira é você enxergar soluções possíveis para os problemas do dia-a-dia, ou seja, é a velha máxima de ao invés de ficar lamentando, fazer algo útil pra resolver. O autor cita um exemplo bíblico muito interessante e que poucos conhecem de verdade, a parábola do administrador infiel. Essa parábola ilustra um administrador que, embora seja desonesto, bola um modo muito engenhoso de resolver seus problemas e Cristo chama a atenção pra isso.

Também mostra que provavelmente não iremos resolver nossos problemas se casarmos com eles. Embora isso seja ridículo e hilário, é o que todo mundo faz. Quando aparece algo ruim, você prefere apresentar o problema pros outros e pedir pra que eles ajudem a lamentar contigo do que resolver. É claro que não fazemos isso tão descaradamente, mas seja honesto e pense se na maioria das vezes realmente considera uma sugestão de ajuda ou fica P da vida porque não estão dando a devida atenção ao enorme problema que estamos falando. Sintetizando e usando uma frase que já ouvi algumas vezes “às vezes queremos de alguém que sofra com a gente, não que resolva pra gente”.

Quatro passos para resolver problemas

O autor apresenta algumas dicas de como você pode resolver seus problemas. São passos bem interessantes e, às vezes, óbvios mas que não nos atentamos.

Primeiro, para que consiga resolver um problema, antes de tudo, você tem que acreditar que é possível resolvê-lo. Realmente sem isso fica meio difícil continuar, concorda?

Segundo, vá para um local que possa ficar sozinho e consiga pensar mais claramente sobre o que tem e o que poderia ajudar a resolver. Tente se acalmar (xingue, extravase mas tente se acalmar, nervoso você não consegue pensar com clareza) e elabore idéias, dê a famosa “viajada na maionese”, enfim pense nas possibilidades.

Terceiro, procure pessoas próximas que você sabe que podem ajudar. Fale sobre o problema e algumas idéias que teve. Isso põe a prova suas idéias, pra saber se são boas mesmo, e pode enriquecer mais o leque de opções. Mas por favor, não consulte pessoas que não tenham certeza que podem ajudar, isso fará você ter mais problemas. Outro ponto importante é procurar essas pessoas com a real intenção de por a prova suas soluções e ouvir possíveis soluções por elas propostas. Não fique somente nos lamentos e não se zangue se ela não ficar comovida com o problema.

Quarto, após chegar á algumas possibilidades concretas, escreva isso em algum lugar. O ato de escrever ajuda a você mentalizar o que tem que fazer e tornar isso concreto. Uma dica pessoal nesse caso é escrever mais detalhadamente como planeja resolver. Quando você tem que colocar algo no papel, você obrigatoriamente tem que organizar as idéias pra fazer sentido o que vai escrever. Isso ajuda muito a você ver suas idéias são exeqüíveis (pode ser executadas) e o que tem que fazer para deixá-las passível de execução.

Enxergando além do exterior

Um segundo tipo de visão, segundo o autor, é a habilidade de enxergar além do exterior das pessoas. Falar que alguém é chato, grosso, gentil, educado quando simplesmente dizemos isso pelo jeito que ele nos trata ou trata as pessoas perto da gente é fácil e até meio óbvio.

Agora, ter visão nesse caso e ver além do que a pessoa mostra diretamente. Que habilidades ela tem que difere ela da maioria? O que é essa pessoa além do que vemos? Liderem natos tem a habilidade de ver isso nas pessoas e se aproveitar dessa informação para sanar problemas que eles enfrentam no dia a dia de seu grupo.

Vendo tudo como Deus vê

Esse terceiro tipo de visão é para aqueles que acreditam que haja uma força maior que orquestra tudo. Nesse tipo de visão, a pessoa sente que algo está para acontecer. É aquela famosa frase “Eu tava pressentindo isso” ou “Não sei o que é mas sei que tem algo que vai acontecer”. Particularmente, e sem conotação religiosa, acredito que desprezar essa certa “voz” que fala conosco as vezes é meio que ir contra o óbvio. Todos têm isso às vezes, religiosos ou não, então não dá pra simplesmente ignorar, mas... Isso é algo pessoal que acredito.

sábado, 6 de março de 2010

[parte 03] Quem é você quando ninguém está olhando? - A DISCIPLINA

Nessa parte eu acredito que o autor comete alguns exageros. Ele atribui o sucesso de uma vida à disciplina. Particularmente acredito que a disciplina realmente tem um grande fator no sucesso de nossa vida, mas não acredito que só ela é a responsável por isso. O autor não afirma que seja assim, mas dá bastante a entender.

Partindo para a disciplina em si, o autor lança uma frase que achei bem interessante para ilustrar o que é ser disciplinado: “retardar a auto-satisfação”.

Realmente acredito que o maior motivo de não termos disciplina é porque queremos logo satisfazer algo. O famoso “vou fazer academia” contradiz diretamente “vou descansar porque já trabalhei demais e mereço um descanso”. Pro outro lado, se retardarmos a auto-satisfação de descansar naquele momento para fazermos os exercícios da academia, colheremos bons frutos no futuro como saúde, boa forma, disposição e etc.

Primeiro o lado ruim.

O autor fala do lado ruim de ser disciplinado, ou seja, alguns contratempos. Um deles é que ser disciplinado exige coragem. Você terá que enfrentar alguns sofrimentos possíveis de serem adiados para ter retornos/mais prazer no que deseja.

Outro contratempo é que disciplina não dá resultados imediatos, ou seja, você tem que acreditar que isso dará realmente mais prazer, seja qual for esse prazer, porque você terá que esperar para sentir isso. Não há modo de saber se você é disciplinado de imediato, é preciso tempo para testar se realmente está sendo disciplinado.

O adiamento da auto-satisfação no relacionamento familiar.

Um ponto interessante que o autor coloca é o quão disciplinado somos em nossos relacionamentos. Traduzindo, o quando você adia sua auto-satisfação em prol de seu parceiro, filho e etc. Veja que o autor diz ADIA e não ABANDONA. Isso acredito ser muito importante.

Sem sacrifícios não há ganhos.

Achei meio óbvio essa frase e esse tópico. Todos sabemos disso, ou seja, sempre haverá sacrifícios para quem quer ser disciplinado, senão já seríamos por natureza. A questão principal seria: os ganhos que terei valem o sacrifício? Acho que antes de partir para a decisão de ser disciplinado em algo, essa pergunta deveria ser feita.

Tomar a decisão antecipadamente.

Uma dica que o autor passa é de nos planejarmos e tomarmos algumas decisões antecipadamente para que, no momento da decisão, tenhamos mais força para continuarmos com nossas metas.

A decisão aqui apresentada não é de sermos disciplinados ou não. Isso obviamente já fizemos quando iniciamos esse caminho. O autor sugere que você analise o que pode te atrapalhar para cumprir a disciplina e tome ações para que isso seja tirado do caminho ou ao menos amenizado.

O controle das finanças.

A relação “custo x benefício” na disciplina, ou seja, retardar algo agora para ter mais/melhor depois é bem visível na área das finanças. Ele agrega essa necessidade ao tomar algumas decisões antecipadamente para que fique mais fácil a tarefa da disciplina financeira.

Os relacionamentos pessoais.

O autor volta a falar dos relacionamentos pessoais, mas agora sobre a ótica das decisões antecipadas. Uma dica comentada por ele é a de criar entre o casal um dia na semana chamado “dia do encontro”. Nesse dia, em um horário a ser combinado, o casal se retirará por algum tempo para ficar a sós. Esse dia deve ser um dia que o casal tira pra namorar novamente, repensar sua metas, analisar se há algo que precisa mudar... Enfim, um momento somente deles. Se o casal tiver filhos ou outros fatores que podem impedir, que seja planejado com antecedência como contorná-los, mas que mantenham o compromisso.

O que ganho com isso?

Aqui o autor fecha o capítulo falando de tudo que se colhe com a disciplina após algum tempo de persistência. Usando o exemplo do começo deste post, seria a saúde, vitalidade, disposição, vigor e afins que você colherá ao fazer os exercícios de academia regularmente.

Eu acredito que há mais algumas coisas a se considerar sobre disciplina. Ainda usando o exemplo da academia, embora tenha total consciência dos benefícios, tenho que confessar que se não ver nada de imediato tendo seriamente a parar.

Pensando nisso, acredito que temos três ações associadas a levar em consideração. A primeira é que quase sempre temos algum detalhe à curto prazo (ou até de imediato) para que possamos nos sentir animados a continuar com a disciplina. Não digo sobre o contexto geral, mas de detalhes que podem nos ajudar a animar a respeito das metas gerais. Persistindo na academia, se pensar que quando terminar, terei a sensação de descanso bem mais intensa porque além de estar mais cansado (afinal você estava fazendo exercícios), você terá aquela sensação de dever cumprido, ô responsável, aquele que cumpre sua palavra.

Segundo ponto que acredito é que você precisa passar a SENTIR a necessidade de ser disciplinado, não apenas SABER que tem que ser. É complicado explicar isso mas, usando novamente a academia, é algo como se pra você o fato de fazer os exercícios fosse uma necessidade, como a de comer quando está com fome. Você não está indo lá pra ver alguém ou só achando que isso vai te ajudar de alguma forma um dia. Você está indo porque você precisa, tem necessidade... SENTE NECESSIDADE.

Um terceiro e ultimo ponto seria ser mais tolerante à suas falhas. O livro da ares que a disciplina é algo que, se um dia você parar, acabou. Terminou tudo e você falhou. Eu acho que mais difícil do que ser disciplinado é conseguir continuar com esse objetivo depois que você falhou. Claro que isso pode se virar contra você se não der o devido respeito as falhas, mas sei e acredito piamente que todos sabemos quando é falha esporádica e quando estamos perdendo o controle, basta que nós sejamos francos com nós mesmo e tenhamos a coragem de assumir isso de verdade.

[parte 02] Quem é você quando ninguém está olhando? - A CORAGEM

Devo confessar que o autor, por ser um pastor, tem aquela mania chata de ficar toda hora se referindo a sua devoção a Deus, sua igreja e bla bla bla. Chega até desmotivar algumas horas, mas estou resistindo a isso porque, tirando esse excesso, ele trás visões interessantes sobre o tema.

Todo mundo (e eu me incluo) quer ser visto como “o corajoso” e acha que isso é fazer algo publicamente pra esperar aquela sensação de “Arrebentei! Agora todo mundo sabe quem é Ô CORAJOSO aqui” ou até mais humilde falando “Agora ninguém pode falar que não tenho coragem”. Mas realmente corajoso é aquele que tem a coragem de fazer coisas nada bombásticas e nisso eu concordo plenamente com o autor.

A coragem no dia a dia

É aquela coragem que ninguém saber que você tem, mas você tem que decidir ter. Algo como fazer o certo ao invés de fazer pra ser aprovado pelos outros.

A coragem pra nos expor

O famoso “dar a cara a tapa”. Dizer não quando querem empurrar algo e sabemos que não vamos dar conta. Ser honesto quando erramos em algo dizendo que realmente erramos (e agüentar a conseqüência) ao invés de ficar inventando desculpas.

A coragem de seguir em frente

Depois que você levou um tombo daqueles (profissional, pessoal, no relacionamento, familiar), levanta e segue em frente.

Coragem no relacionamento

Aqui aplica-se o famoso ditado “o bicho pega feio”. Particularmente eu conheço 10% de pessoas que realmente conseguem ter essa coragem.

Quem você conhece que falar pra esposa/marido: “Desculpa, estou errado mesmo. Mas se me ajudar posso tentar mudar” ou “Não acho que esteja errada(o) mas precisamos sentar e falar sobre isso pra que possamos ver se conseguimos andar junto nessa questão, senão acho que vai ficar difícil”.

Ou entre amigos “olha, conheço você a muito tempo mas as vezes você me torra a paciência com essa atitude” ou “vamos para por um minuto com a conversa mole e vamos falar da discussão que tivemos”.

Em minha opinião, se tem uma coragem que acabaria com 80% de nossos problemas, seria essa.

Coragem Moral

O famoso “não ter rabo preso”, não sonega, não mente, enfim, realmente agora raro hoje.

Como cultivar a coragem

A primeira coisa que o autor coloca é meio obvia: encarar de frente o que temos medo. Aqui eu adicionaria algumas considerações.

Veja, é obvio que se fosse fácil, ou até possível, já tínhamos encarado de frente o medo certo? Então acredito que a primeira coisa a fazer é fazermos um DEMO. É, uma amostra, vermos como é. Se começarmos por coisas mais simples, algo que não vai requerer tanto da gente, começamos a experimentar o gosto da coragem, ou o que ela nos trás. Com isso, podemos sentir o que está por vir e nos animar para tentar com coisas maiores.

Outro ponto que o autor não cita mas acredito que seja válido é planejar-se. Quando você tem coragem pra se fazer algo, você deve ter em mente que isso lhe trará uma série de ações que deve estar ciente. Claro que nunca vamos conseguir prever todas, mas se você souber ao menos no que entrará quando acontecer, estará mais preparado pra conseguir continuar e, futuramente, desfrutar do que conquistou através deste ato.

O planejamento também ajuda a você analisar como deve ser sua coragem. Nem sempre a coragem é um SIM e NÃO. Nesses casos, sabem por onde seguir quando se tem a coragem de seguir é um grande passo pra você ficar mais tranqüilo do que está fazendo.

O autor trás um outro conselho: Nos cercar de bons exemplos. Realmente isso é algo que pode ajudar demais a termos coragem.

[parte 01] Quem é você quando ninguém está olhando? - Iniciando...

Ganhei de uma amiga um livro chamado “Quem é você quando ninguém está olhando?” (Bill Hybels, Editora Betânea) e é o livro que estou lendo agora (junto com alguns outros).

Comecei a ler esse livro e, filtrando alguns excessos, acredito que ele traz algumas coisas muito interessantes para pensar. O autor inicia dizendo que hoje está raro achar gente com o caráter que ele chama “caráter em extinção” e ele define caráter de uma forma bem simples: “Caráter é aquilo que você faz quando ninguém está olhando”. Até concordo com ele, não sei ainda se 100%, mas acredito que seja por esse caminho mesmo.

Então ele faz algo curioso, ele divide caráter em partes e fala de cada uma delas:
  • Coragem
  • Disciplina
  • Visão
  • Perseverança
  • Amor

Então o autor começa a dissertar sobre cada uma dessas partes.

Nunca estudei muito a fundo esse tema, portanto não sinto confortável em fazer um pré-julgamento, mas acredito que realmente essa divisão faça algum sentido então resolvi continuar a ler o livro.